.Art.13º, n.º da Constituição

"Ninguém pode ser privilegiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça,língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual"
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Noite de Teatro

                          Noite de teatro

 

 

      Emanuel que nunca tem tempo para fazer algo alem do trabalho, como lhe deram um bilhete de ingresso, naquela noite, foi ao teatro.

 

 

O Emanuel é um rapaz de compleição apetitosa para qualquer mulher, tem 30 anos de idade, mede um metro e oitenta, cabelos castanhos com laivos alourados, mas naturais, os olhos penetrantes e sempre atentos a tudo o que o rodeia. Veste-se com muito bom gosto, não andando atrás da moda mas sabe conjugar uma gravata com uma camisa e um casaco com umas calças. Os sapatos, que é o sítio para onde uma mulher de bom gosto olha primeiro, estão sempre impecáveis e a condizer com o resto da farpela.

Quando num dia de calor despe o casaco e percorre os seus locais de trabalho por entre o mulherengo, estas só não assobiam por vergonha e respeito ao chefe mas muitas sonham que trocarem-no por aquele com que um dia as lavaram ao altar ou não, mas que têm que aturar todos os dias. Começam por olhar para os sapatos, e percorrem todo o corpo parando por vezes pelo rabo e pela cintura indo parar na compleição dos seus abdominais. Quanto ao resto, nada mais há para ver, pois nunca tira a gravata nem arregaça as mangas da camisa.

Emanuel, não tem tempo para nada, nem sequer para se aperceber de quanto é apetitoso para elas e até por acaso, para um deles que também existe num dos super mercados e que é expositor e como tal, tem que com ele conviver enquanto das sua visitas ao local onde este também trabalha. Por força do trabalho já almoçou com alguns colegas e por mais que se atirem, ele não dá por nada, (cá para mim, é mesmo parvo).

Já teve uma namorada, mas como é habito dizer-se, “ficou tudo em águas de bacalhau” não se sabe porquê.

Emanuel efectivamente não tem tempo para qualquer coisa a não ser para o trabalho. Não tem qualquer hobby, for a do trabalho, tem poucos amigos, a não ser em uns fins-de-semana que se encontra com um casal e um tio destes para jogarem às cartas e mesmo assim, são poucas as vezes que o apanham.

Quando se lhe pergunta em que se entretém fora das horas de trabalho é peremptório e diz: “O trabalho ocupa-me todo o tempo do mundo”.

 Efectivamente, ele percorre todo o Portugal de lés a lés, incluindo Açores e Madeira para visitar e inspeccionar os super mercados que fazem parte de um grupo implantado em Portugal e onde é um chefe muito conceituado.

Diz o povo e tem razão, “Um dia é dia de Santo António”.

O Emanuel num dos fins-de-semana de jogatina a conversa dirigiu-se para as artes, por força do conhecimento do Tio Nelson, o tal tio (emprestado) do casal onde se juntam para jogar às cartas. O rapaz, o tal tio, como ele costuma dizer já tem duzentos anos, não é bem assim, mas quase. Viveu durante muitos anos ligado às artes, tais como cinema, teatro e televisão e como é obvio as conversas deste, emanam para as agendas culturais que se fazem nesta terra, embora poucas, porque no pós 25 de Abril nenhum governo tem zelado pela cultura, mas ainda vão aparecendo uns génios, que a muito custo vão levando à cena algumas peças de teatro, principalmente teatro à portuguesa, o chamado Teatro de revista. 

Entre uma jogada e outra, às duas por três, vieram à baila vários filmes que marcaram os tempos, tais como ’Cabaré’, ‘E tudo o vento levou’, ‘Doutor Jivago’, ‘My fair Lady’ e tantos outros. É nesta entreacto de conversa que o Tio Nelson fala sobre a peça encenada por Filipe Lá Féria ‘Música no Coração’(a) que também já tinha dado no cinema, mas que em teatro era digno de se ver pois não deixava nada a dever às montagens que se fazem em Nova Iorque ou em Londres e que toda a gente devia de ir ver.

“Pois sim!” Disse o Emanuel “Eu não tenho tempo para essas coisas”.

O Tio Nelson que não é rapaz para se ficar, desafiou-o, a ir ao Politeama, ver a tal peça pois ia arranjar-lhe um bilhete de ingresso, bastava fazer um telefonema para o bilhete ficar na bilheteira em seu nome e à sua espera.

  Aqui gerou-se uma aposta, uns diziam que ele não ia e outros diziam que ia. Desta vez, para não fazer desfeita á aquela oferta tão pronta do Tio Nelson, o Emanuel lá combinou a noite que iria disponibilizar e assim ficou combinado.

O Emanuel foi ao teatro, só não sabia que iria ver efectivamente um bom espectáculo e o que lhe iria acontecer depois deste terminar.

Contrariamente ao que é habitual o nosso Emanuel, aprontou-se de uma forma diferente no vestir. Calçou uns sapatos de pele de crocodilo, umas calças de ganga de marca, uma camisa nova de dois botões, como se usa agora, e sem gravata. Para completar a indumentária, vestiu um casacão de pele e lá foi ao Politeama.

As luzes da sala ainda não tinham descido e havia ainda pessoas a entrar, sentar-se, a despir os casacos, em fim a acomodarem-se para o espectáculo.

Emanuel também tirou o casaco, colocou-o sobre os joelhos e enquanto não se ouvia as pancadinhas de Molière (b), foi lendo o programa onde consta a história da peça assim como o nome de todos os actores intervenientes, autores e compositores.

  Ao mesmo tempo, ia olhando para quem o rodeava. À direita tinha um casal jovem que olhando mais em pormenor, pareciam noivos, pela forma como vestiam e como davam as mão muito entrelaçadas, saltando de ambas o brilho de alianças novas, (dava a entender serem um jovem casal de certa condição social, pela grossura das alianças assim como um anel de brilhantes que num dos dedos da mão esquerda ela ostentava). Do lado esquerdo, um jovem também ai para os seus trinta anos, como ele, magro aparentando ter a sua altura, cabelos encaracolados e nem comprido nem curto de rosto angular de olhos castanhos e uma tez morena. Vestia-se de um blazer castanho, camisa branca, sem gravata, tendo os quatro primeiros botões abertos, vislumbrando-se uma cruz em ouro que sobressaia sobre meia dúzia de pelos pouco perceptíveis, mas que se via no seu todo ser um tipo bem tratado.

As luzes foram-se baixando após um sinal acústico e lá se ouviram as pancadinhas de Molière, as cortinas de boca de cena abriram-se e o espectáculo começou.

Veio o intervalo e todo o público aplaudiu freneticamente, porque de facto o final do primeiro acto foi um espanto.

 O parceiro do lado esquerdo até se levantou para aplaudir ao mesmo tempo que dizia “isto sim! É um espectáculo” virando-se para o nosso Emanuel e dizendo: - Que acha deste encenador?

Coitado do Emanuel que não é dado a grandes conversas principalmente com quem não conhece lá ia dizendo com a cabeça que sim!

Neste intervalo que normalmente é curto, dirigiu-se ao bar e tomou um café e um brandy ao mesmo tempo que fumava um cigarro.

O tal parceiro de plateia, também ali estava a tomar o seu café, olhou para ele fixamente e disse: - Amigo, não tenho nada a ver com a sua vida, mas no meio de tanta gente, fumar um cigarro não só lhe faz mal a si, como aos outros, desculpe o meu atrevimento, mas como sou médico sinto-me na obrigação de alertar as pessoas para o mal que o tabaco faz!

O Emanuel apagou o cigarro e como é uma pessoa educada, pediu desculpa. Ao mesmo tempo pensou lá para com ele, “era só o que me faltava, logo numa das poucas vezes que saio, tenho um tipo à perna a dar-me aconselhamentos de saúde”. Tocou a campainha de reinício da sessão e lá se foi sentar para assistir ao resto do espectáculo.

Terminou o espectáculo com um final onde entra toda a companhia cantando a canção de fundo “Música no Coração”. Todos aplaudiram de pé e durante bastante tempo sendo toda a companhia obrigada a bisar a última canção.

Já na rua, o Emanuel, pois é dele que se trata, achou que estava um pouco de frio e ao mesmo tempo que sentia o cheiro a marisco que sai da cervejaria Sol Mar, mesmo ali em frente e como dias não são dias e não tinha pago o bilhete, foi até lá, podia gastar uns trocos. Sentou-se a uma mesa, pediu uma taça de vinho verde e meia dúzia de gambas.

O Sol Mar é uma cervejaria frequentada por muitos artistas empresários, encenadores e público em geral, onde relaxam depois de terminarem os espectáculos tanto do Politeama como do Coliseu dos Recreios que é mesmo ali ao lado na rua das portas de Santo Antão (rua emblemática da nossa capital, onde não passam carros, cheia de restaurantes e onde já esteve durante muitos anos a sede do Sporting Lisboa e Benfica, felizmente que ainda existe a Casa do Alentejo, instalada num edifício soberbo emblemático e cheio de tradições).

Entre uma taça de vinho e uma gamba, vai olhando para os outros fregueses frequentes daquela casa também emblemática para a cidade de Lisboa, quando se apercebe que na mesa mesmo ao lado, está nem mais nem menos que o encenador, alguns artistas da peça que acabava de ver assim como o tal doutor que tinha estado ao seu lado na plateia e o criticou pelo facto de estar a fumar no bar do teatro.

Emanuel rapaz pacato e nada conhecedor de gente o teatro, a não ser as histórias que tem ouvido o Tio Nelson contar nas tais noites de jogo em que se juntam para uma amena cavaqueira e destresar das semanas de trabalho, ficou em pulgas e com uma vontade tremenda de falar com aquela gente que ele julgava ser diferente dos outros. Tanto olhou, que o tal doutor fixou-se nele e o convidou para a mesa dizendo:

- Agora aqui, e há pouco no teatro?! Desculpe o meu atrevimento no intervalo da peça, mas eu sou mesmo assim.

- Não faz mal eu às vezes é que me distraio, com certas alturas.

- Não quer sentar-se à mesa, connosco? Parece estar só!

- Sabe, eu de artistas conheço pouco, mas seria meu prazer juntar-me a tão ilustres figuras do nosso teatro.

Emanuel não esperou mais por outra oportunidade. Pegou no prato das gambas, na garrafa de vinho e no copo e lá foi ele sentar-se junto às “vedetas”.

A conversa entre todos foi animada. Emanuel confessou que só tinha ido ao teatro duas vezes na vida e desta, foi porque tinha um amigo que lhe chamam Tio Nelson lhe tinha arranjado um bilhete.

- Não me diga que é fulano, (para aqui não vem ao caso o nome verdadeiro do Tio Nelson) disse o tal doutor.

- É verdade, é ele mesmo.

- Pois quando estiver com ele, dê-lhe um abraço, pois esse tipo desde que julga estar velho, não aparece e só me telefona de vez em quando, mas desta vez parece que foi por uma boa causa. (se mi serrando os olhos e dando um trejeito aos lábios, riu-se)

- Há.. Há.. Há…, pois, ele é mesmo assim! (disse o Emanuel)

- É pena porque quem não aparece esquece e ele não merece estar afastado da vida artística. Sabia que é um bom cantor?

- Sim! Sei que teve uma carreira interessante, mas na altura do 25 de Abril os cantores românticos foram chamados de nacional cançonetistas e foi posto de lado como tantos outros e também se casou, afastando-se da actividade artística e hoje vive de recordações escrevendo umas coisas relacionadas com a saudade que tem desse tempo e afastou-se.

- É mesmo por essa razão que não me caso! Quem casa, quer casa, eu já tenho a minha e não estou para reparti-la com uma pessoa qualquer. Quanto a essa época, felizmente que já passou só é pena que ele não volte assim como outros cantores da altura porque isto de cantigas está muito mal.

- Pois, eu também sou da mesma opinião, sou amante da boa música e passo a vida a comprar CDs dos chamados velhos tempos. Também sou solteiro e ainda não arranjei um novo compromisso. Em relação ao último, cheguei à conclusão que não há nada para sempre. Enquanto tiver os meus pais vivos não arranjo mais ninguém.

A conversa entre os dois estava de tal forma animada que os outros notaram que estavam a mais, além disso, estavam cansados, e resolveram pagar as despesas, despediram-se e lá foram às suas vidas.

A cavaqueira continuou até que um empregado chegou à beira deles e informou que a cervejaria ia fechar pois já eram duas e trinta da manhã.

Como pessoas de bem e educadas, gerou-se aquela pequena discussão do quem paga a conta:

- Não quem paga sou eu,

- Não, desculpe eu é que sou a apagar

- Mau! Eu sou o mais velho, portanto, quem paga seu eu. Dizia o Emanuel.

O empregado já um pouco farto daquela troca de galhardetes e porque o que ele queria era ir-se embora disse:

- Os senhores desculpem mas a conta já está paga, o Senhor empresário que estava com os actores quando se foi embora pagou a conta toda e como os senhores não beberam mais nada, podem ir-se embora à vontade.

Ambos ficaram admirados pela gentileza do pagante e porque de facto já ali estavam à bastante tempo sem consumir, em uníssono, cada um tirou uma nota de cinco euros da algibeira e deram ao empregado como gorjeta, pedindo ao mesmo tempo desculpa, por terem estado a ocupar uma mesa durante uma hora sem consumirem.

Para o empregado, rapaz esperto e habituado a clientes daqueles perante tal gentileza, ”abriu-se todo” em agradecimentos dizendo espera-los de novo desejando que a conversa entre ambos não tenha sido “uma conversa da treta”.

Efectivamente aquela conversa não tinha nada de “conversa da treta”, mas sim, o início de uma forte amizade.

Saíram e como a noite estava bastante agradável e a conversa ainda não tinha acabado, resolveram continua-la avenida da liberdade a cima.

O Jorge olhou para o relógio e disse:

 - Efectivamente está uma noite espectacular, você tem carro por aqui?

- Sim tenho, está mesmo aqui em frente aos Correios, foi o único sítio que encontrei quando cheguei.

- O meu está no parque dos restauradores. Como venho cedo para o teatro, deixo-o ali, pago mais qualquer coisa, mas estou descansado. A propósito, e se fossemos tomar um copo a qualquer lado?

- Sabe, eu não sou muito de sair à noite, principalmente em Lisboa, portanto não conheço assim um lugar onde possamos conversar a esta hora. Você é que é um homem da noite e dos teatros e pode saber de um bar agradável.

O Jorge, perante esta afirmação foi logo peremptório em emendar a opinião do novo amigo:

- Bem! Não é bem assim, eu só venho a este teatro mais vezes porque sou o médico do realizador e apoio todos os actores e trabalhadores da companhia, como temos vários assuntos a tratar, às vezes dá jeito falar-mos nestas horas. No entanto sim, conheço um bar bastante simpático à entrada do Bairro Alto que por acaso, praticamente só é frequentado por tipos de negócios, do teatro e cantores.

- Pois bem! Vamos lá! Levo o meu carro que está mais à mão, e depois vimos buscar o seu! Que acha?

- Está bem! Vamos então ao Harrys Bar.

Quando chegaram, o João, mais conhecido pelo Joãozinho, e que é o dono do bar, fez uma grande festa ao Jorge com beijinhos e tudo como é seu habito tratar os seus clientes. Foi buscar dois copos, um frapé com gelo, uma garrafa de Água Castelo e uma garrafa de Whisky que tinha pendurado no gargalo uma etiqueta com o nome do Jorge.

- Afinal, você é cliente assíduo aqui do bar, até tem uma garrafa em seu nome.

- É verdade. Disse o Jorge.

- Sabe? É aqui que trago os meus amigos da noite. Tem um ambiente agradável. A música é sempre muito baixa para podermos conversar. Só é pena a música ser sempre a mesma. Normalmente, são fado da Amália Rodrigues, os clientes já estão habituados. Esta casa é como um culto a Amália. Como pode ver existem quadros da Amália por todas as paredes e autografados ao Joãozinho que era muito seu amigo e visita de sua casa.

- Sim! De facto é um bar diferente dos que conheço. Deve ser porque a sua clientela está ligada às artes!

- Sabe? As artes, principalmente o teatro, as cantigas, a televisão e o cinema na sua maioria é composta por gente sem preconceitos em que tentam levar uma vida, o mais descomplexada possível. Também há pintores e escritores. Os que menos frequentam este tipo de bares são os toureiros, os futebolistas e os fadistas. Estes enganam as mulheres e os amigos por outros sítios mais recatados.

- Sim! Também me parece ser um sítio bastante recatado! Não só pelo ambiente como pela decoração. Deve ser um local de encontro de pessoas bastante afortunadas.

- Se olhares bem atentamente para os frequentadores com o teu olhar clínico podes verificar serem pessoas bem dispostas e alegres e que deixaram à porta os preconceitos dos outros. São pessoas livres e ao mesmo tempo simples que até gostam de ouvir Amália como música de fundo das suas conversas, algumas, que são só entre elas.

Na verdade, também a conversa entre eles nada mais era que uma troca de opiniões do ambiente onde se encontravam.

Sobre o que ali estavam a fazer, parece por agora, que não sabiam. Pelo menos o Emanuel. Tinha sido atirado para aquele local cheio de mitos num ambiente carregado de não sei o quê, pela força das circunstâncias.

Enquanto conversava com o seu novo amigo, na outra parte do seu cérebro ia-se lembrando das conversas que ouvia do Tio Nelson sobre a noite de Lisboa e que seria ele o culpado da sua ida ao teatro.

A certa altura o Jorge disse: - De vez em quando parece que estás ausente! Passa-se alguma coisa contigo? Ou estás contrariado?

- Não! Não é isso! É que nunca tinha vindo a um bar deste tipo, embora me sinta bem e até alguma atracção pelas pessoas aqui presentes.

- Bem, já é alguma coisa. Ao que parece fiz bem em trazer-te ao Harrys Bar. Embora esteja no Bairro Alto não é propriamente um Bar de putas ou maricas mas sim um bar de pessoas diferentes.

- Sim! Pelo que me apercebo não há nada que não se possa ver ou atente à moral do cidadão vulgar e até me sinto bastante bem.

- Isso é falta de saíres à noite e conheceres novas gentes fora do teu dia a dia.

- De facto, a minha vida é do trabalho para casa e de casa para o trabalho.

- Então não vives com ninguém?

- Não! Vivo só com os meus pais!

- Não me digas, que não anda por ai alguém a bichanar-te o coração?

- Não! Sai há pouco de uma experiência de dois anos, mas não deu certo. Talvez por eu também não ter grande experiência de uma vida a dois.

- De facto é difícil conviver permanentemente com outra pessoa na mesma casa. Habituarmo-nos, principalmente no acordar em que parece a pessoa não ser a mesma, independentemente dos hábitos, gostos e costumes que ambos têm que conciliar.

- Por acaso não foi o caso! Simplesmente não deu certo por questões de ciúmes.

- Isso é mau! Olha eu quando gosto de uma pessoa é porque também tenho confiança nela e nesses casos não tenho ciúmes.

Entretanto com esta conversa toda já tinham a acabado com a garrafa do Scotch.

O Joãozinho que está sempre atento aos seus clientes e amigos, reparou que a garrafa já tinha acabado, aproximou-se deles com outra nova como é habito, abriu, deitou um pouco de Whisky em cada copo e enquanto ia deitando também um golo de Água de Castelo, lá foi metendo a sua colherada.

- Então os meus amigos já chegaram a alguma conclusão ou só estão nos preliminares? Já são cinco da manhã e o melhor é irem acabar a conversa noutro sítio com menos fumo e mais acolhedor para ambos.

- De facto já são horas de nos irmos embora, já bebemos uma garrafa e daqui a pouco já não consigo guiar disse o Emanuel.

- Isso não é problema, como sabes sou médico e sei parar de beber, mas de facto, o melhor é irmos embora.

Despediram-se o Joãozinho e lá foram eles.

Já na rua, a claridade do amanhecer já se vislumbrava, o Emanuel deu dois passos em falso e o Jorge de imediato agarrou-o.

- Então homem? Não me diga que é o efeito da bebida da noite?

- Não! Simplesmente coloquei um pé em falso.

- Bem, o melhor é irmos comer qualquer coisa e como o meu carro está muito bem guardado no parque, passo eu a conduzir o teu. A esta hora ainda não está café algum aberto, vamos até minha casa. Fazemos um pequeno-almoço substancial tu descansas um pouco e mais tarde levas-me até ao parque onde tenho o meu carro e vais para casa. Está bem?

- É capaz de não ser má ideie, hoje até não trabalho e podemos conhecermo-nos melhor. Não é normal deixar outra pessoa conduzir o meu carro, mas por toda a conversa que tivemos toda a noite, parece que já tenho confiança em ti! Olha, seja o que Deus quiser! 

Entraram no carro e lá foram direitinhos para casa do Jorge.

 

       Dois meses depois

 

O Jorge vendeu o seu apartamento e ambos compraram um outro que andam a mobilar aos seus gostos.

É um apartamento bonito num último andar e como tal tem uma vista espectacular, decorado com muito bom gosto e toda a casa respira felicidade.

Ainda não está totalmente decorado e mobilado mas a coisa vai.

Ambos trabalham, fazem uma vida como dizem os brasileiros “gostosa” sem complicações. Têm os seus amigos que muito os acarinham, e sabem receber em sua casa. As famílias estão unidas e basta olhar para eles para nos apercebemos de imediato “Ali há felicidade”.

Ambos estão “Á espera de um Milagre” para que este amor dure para sempre.

O Tio Nelson está feliz por ter ocasionado este encontro com um simples bilhete de teatro.

 

 

Ps: História dedicada a dois amigos que conheci nas Areia.

      As personagens intervenientes e a história são puras ficções literárias.

 

 

O Caçador

Ano de 2007

 

Notas:

(a) Música no Coração é um musical baseado no livro “The Story of the Trapp Family Singers” com música de Richard Rodgers, letra de Óscar Hammerstein II e texto de Howard  Lidsay e Russel Crouse, numa versão livre em português com encenação de Filipe La Féria.

 

(b) Molière: Pseudónimo do comediógrafo francês Jean-Baptiste Poquelin (1622-163). Advogado, cedo trocou a toga pelo teatro. Luís XIV veio a atribuir-lhe uma pensão na qualidade de «sublime comediante». Compôs obras famosas como Les Précieuses Ridicules (1659), Le Misanthrop, Le Médecin Malgré Lui (1666), Le Tartuffe (1669) e Le Malade Imaginaire (1673).

As pancadas que se ouvem no teatro antes de abrir o pano foram de sua autoria.

 

O Caçador

 

sinto-me: Com vontade de amar
a música que estou a ouvir: My Fair Lady
publicado por nelson camacho às 01:39
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Um texto na gaveta

               Procuro e não te encontro

 

     Como é normal são 3:35 da manhã e estou agarrado ao computador.

     Acabei de escrever uma dedicatória a um amigo, inaugurando um novo blog no Live Messenger. Aquela treta é difícil e fiquei danado, mas pelo menos a missão foi cumprida.

     Desliguei o computador, abri uma gaveta onde tenho coisas antigas e deparei com um texto de 2005 e como não tenho nada que fazer a esta hora, voltei a ligar o já dito e aqui estou a publicar mais uma história de engate via net que se passou comigo. Por acaso lembro-me que até fomos jantar, mas não passou dali. Sinceramente, também não valia mais que isso.

     E foi assim……

 

 

     São quatro da manhã, acordei com uma espertina arrepiante. Fui ao frigorífico e tomei um copo de leite assim, sem mais nem menos, dizem que faz mal, mas eu tenho a mania do frigorífico e é para lá que caminho quando mais nada tenho que fazer. Vim para o computador com uma vontade enorme de escrever, escrever, escrever, cheio de ideias baralhadas. Quando o liguei, pifou, levou mais tempo e estar operacional do que é normal e entretanto as ideias que me estavam a baralhar o cérebro foram-se. Elas já andam baralhadas à bastante tempo, primeiro pelo amor de seis anos que terminou e depois por ter julgado ter encontrado outro que pela sua prosa me fez acreditar que ainda tinha possibilidades de voltar a viver. Escrever nestas páginas da Internet o que nos vai na alma quando estamos subjugados não a um texto numa folha A4, mas a 3500 caracteres é como arrancar de dentro de nós parte de um sentimento universal que seriam precisos mais de um milhão, para o exprimir a nossa dor, a dor da nossa alma, sim, porque a alma também dói.

     Foi num destes sites que te encontrei e me apaixonei. Foi num destes sites que te encontrei e julguei ser o princípio de uma nova vida. Não te conheço, mas já fazes parte do meu imaginário, tal ouvinte de um programa de rádio que se apaixona pela voz do locutor, mas eu, nem a tua voz tenho gravada, pois tivemos uma pequena conversa de cinco minutos pelo telemóvel, tecnologia da última geração tal como a Internet capaz de enganar multidões. Enganar que está só e de quem precisa de um ombro amigo e nada mais.

     Quando falei contigo pelo telefone, começámos por marcar encontro e quando eu disse que era um velho vestido de preto, arranjas-te logo uma desculpa para não ires ao encontro, creio que julgas-te que eu era mesmo velho e ficaste com medo.

     Lembrei-me logo daquele dito (tá bem, combinamos e não aparecemos). Eu sei que também tu estás numa de perca de amores e desilusões, no entanto, não é caso para não partires à aventura. Era só um café que eu queria, o resto só Deus pode dizer.

      Procuro e não te encontro, como diz a canção:

 

-          Procuro e não te encontro

-          Não paro, nem volto a trás

-          Eu sei, dizem todos

-          que é loucura

-          Eu andar à tua procura

-          Sabendo bem, onde tu estás.

 

Nota: Passado dias obtive resposta fomos jantar, mas não passou disso mesmo e cheguei à conclusão que os encontros pela net 95 % não valem a pena perder tempo.

     O Caçador em 2005

sinto-me: Com sono
a música que estou a ouvir: Dia sim, dia não
publicado por nelson camacho às 04:13
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Meu caro João

 

Meu caro João

(esta foto é para si)

 

     Nos comentários que vou recebendo ao longo dos meus postes, de vez em quanto aparecem uns que são bastante interessantes e desde que não sejam ofensivos vou deixando passar. Assim foi o comentário do meu caro João (?) que embora se identifique como João, não se sabe quem é na realidade, no entanto o seu comentário ao meu post “ O Meu Personal Trainer ” foi devidamente aceite no entanto não posso deixar de lhe dar um certo carinho, por isso mesmo aqui fica a repetição e a minha carinhosa resposta.

  

Seu comentário: “João disse sobre O Meu na Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008 às 00:14: Lol para quem se dedica à escrita, era desnecessário o chorrilho de erros ortográficos, bem como escrever partes do texto em português e copy /paste outras partes de algum site brasileiro...”Personal Trainer

 

A minha resposta:

 

     Meu caro João gostava de ser tão letrado como você deve ser, para não dar tantos erros ortográficos como diz no seu comentário, no entanto, posso dizer-lhe que nos meu contos eróticos existem palavras que para as escrever em português de Portugal ficariam menos próprias e talvez até obscenas, assim, opto por lhes dar uns termos abrasileirados que toda a gente entende e não choca os mais desprevenidos. Quanto ao copy /paste e cópia de partes de sites brasileiros gostava que apontasse quais são.

 

     Tudo o que escrevo é de minha inteira responsabilidade e retirado da minha cabecinha não me escondendo atrás de um nome qualquer como o meu amigo faz. (Será que se chama mesmo João?)

 

      Os contos que aqui conto, são puras ficções literárias onde acontece sempre uma história a anteceder os finalmentes ” que são descritos em termos eróticos e não pornográficos, mas isso certamente não passa pela mente de algumas pessoas que não sabem sonhar, uns porque só a pornografia baila nas suas cabeças e outros são o que não querem ser, têm vergonha de o ser ou invejosos de não fazerem o que os outros fazem. Sair do armário não é tão difícil como parece e ser-se diferente também não.

 

     Dei uma vista de olhos pelo seu blog e sinceramente se é isso que entende por divulgação de ideias, isso sim, é um chorrilho de cópias dos trabalhos dos outros. Ter ideia e coloca-las em pratica não é isso.

Um abraço e não tenha medo de viver nem inveja dos outros.

Nelson Camacho d’Magoito

 

sinto-me: Aliviado por dizer a verdade
a música que estou a ouvir: Estou-me nas tintas
publicado por nelson camacho às 20:22
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Este Blogue é constituido por histórias Homo-Eróticas dedicadas a MAIORES de 18 anos. Os homossexuais também têm sentimentos, sofrem, amam e gozam a vida como qualquer outro sejam activos, passivos ou Flex (versátil). As fotos e videos aqui apresentadas foram capturadas da internet livres de copyrigt. Quanto aos textos, são de minha inteira responsabilidade ©. Não faça copy sem mencionar a sua origem. Tenham uma boa leitura e não se esqueça que o geral ultrapassa a ficção. Comente dem medos e não tenha preconceitos.
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