.Art.13º, n.º da Constituição

"Ninguém pode ser privilegiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça,língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual"
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

O Novo Carteiro

 

O descanso dos guerreiros

Quando o carteiro toca duas vezes

 

Quando ouvimos tocar a campainha da porta, normalmente ou espreitamos ou vimos através do vídeo porteiro, (conforme o tipo de habitação que temos) quem nos vem chatear àquela hora. Se é uma miga ou um amigo, abrimos, se é um dos tipos que nos quer impingir publicidade ou alguém desconhecido, deixamos tocar e não respondemos, até se fartarem e irem-se embora. Mas há um outro tipo de pessoa que normalmente nos bate á porta, é o carteiro que por norma, só toca na campainha quando tem alguma encomenda ou carta registada para nos entregar.

O Carteiro é o fiel mensageiro da vida ou da morte. Uns o esperam com alvoroço, outros com receio, pois esta personagem, nada mais é que uma esperança ambulante. Às vezes, até sonhamos como será, pois raramente o vimos.

Onde se passou esta história é numa casa de verão e como tal pouca correspondência recebo, a não ser uma ou outra encomenda que vou fazendo acontecendo assim que os tais carteiros que não conhecemos só têm que deixar o aviso respectivo dos CTT para ir à estação levantar as encomendas.

Também pouca vida social faço na terra, pois sendo uma casa de verão, a minha vida é praia, casa, Lisboa. A cafés, só vou a um e normalmente para comprar o tabaco e ou o jornal, tomando às vezes uma bica e nada mais, se por ali fico um quarto de hora já é muito. Não conheço qualquer pessoa e como também sou um pouco introvertido, também não me dá para socializar, no entanto, no outro dia, a televisão do café estava a dar um jogo de futebol que me estava a interessar, através de um canal da TV- Cabo, como nesta casa não tenho este sistema de televisão, sentei-me, tomei uma bica a ali estive a ver o jogo.

O café estava cheio de “malta” lá do sítio, o que era normal, embora quase toda a gente tenha a TV- Cabo, sabe melhor ver estes jogos no café, pois sempre se vai dando um palpite de treinador de bancada com o colega ou fazendo criticas ao árbitro. Eu estava para ali só, feito parvo e olhando de vez em quando para um ou outro espectador, só os vendo por traz, pois estava numa mesa ao fundo do café.

De repente, um moço bem-apessoado, que estava também só e encostado ao balcão, puxou de um cigarro, e com uma mão percorreu todos os bolsos, como quem procura algo ao mesmo tempo que dava uma olhadela para a assistência, até que seus olhos depararam com os meus, que nesse preciso momento o mirava de alto a baixo.

 Deu duas lambidelas no filtro do cigarro, como estando a amolecê-lo, e fixando-me com o ar mais maldoso deste mundo dirigiu-se a mim dizendo:

- Desculpe, mas tem lume que me empreste?

Ao que lhe respondi com ar irónico depois de ter visto aquela lambidela no cigarro:

- Bem… lume não lhe poço emprestar, mas um isqueiro para acender o cigarro! Isso poço!

O moço, que ainda não tinha nome, quando lhe estendi a mão com o isqueiro, este agarrou-o, acendeu o cigarro, ao mesmo tempo que ia olhando para mim com ar terno e doce. Quando devolveu o isqueiro fê-lo de forma que os seus dedos roçaram minha mão pela parte de baixo sustentando esse gesto por alguns segundos e que eu aguentei o mais tempo possível. De repente, apertou minha mão ao de leve e com um olhar maroto perguntou:

- Você não é de cá, pois não?

- Não! Disse eu um pouco atrapalhado. Só tenho cá uma casa para passar o verão e quando cá estou, estou mais tempo na praia que andar de café em café, para isso, tenho a minha Lisboa.

- Há… de facto nunca o tinha visto por aqui. Esta terra também é uma pasmaceira. Eu também trabalho em Lisboa, mas agora vim fazer uma férias de um colega aqui na zona.

- Porque não se senta? Perguntei…

- Pois bem! Já agora! Toma mais alguma coisa?

- Não obrigado, um café por agora já chega! Mas olhe que essa atitude só lhe fica bem. Nesta terra parece haver um certo constrangimento em as pessoas sentarem-se numa mesa onde esteja uma só pessoa e muito menos oferecer uma bebida.

- Sabe… As pessoas aqui são muito metidas com elas e enquanto não nos conhecem parece que são desconfiadas, mas eu não ligo. Estou habituado ao Porto e lá não se passa assim. Quando entramos num café, este está cheio, mas há um lugar vago numa mesa que esteja ocupada por um tipo qualquer, pedimos licença e nos sentamos. Às vezes dá para conversar outras não.

- De facto é assim! As pessoas do norte são muito mais afáveis que por aqui. Você é do Porto? Não tem pronuncia!

- Sou… Sou mas há dois anos, pediram-me para vir trabalhar para Lisboa e eu aceitei. A grande cidade é sempre a grande cidade.

- De facto a grande cidade é a grande cidade mas eu gosto muito do Porto e tenho lá grandes amigos, alguns feitos nas mesmas condições em que estamos agora. Depois de um contacto no café ficamos amigos. De tal forma que quando lá vou, normalmente depois de saberem que lá estou, não me deixam ficar em hotel, tenho sempre casa onde ficar.

A conversa, de circunstância, manteve-se durante algum tempo até que acabou o jogo acabou mas que acabámos por não ver.

O tal moço, acabou por dizer chamar-se Luís, eu também me apresentei.

Olhou para o relógio e de imediato:

- Ói ói ói,.... Nem dei pelas horas, tenho de ir para o trabalho. A conversa foi muito agradável, mas tenho mesmo de ir.

Levantou-se, despediu-se com um aperto de mão bastante apertado ao mesmo tempo que disse:

- Agente vê-se por aí, foi muito agradável este bocadinho.

De facto, tinha sido agradável aquele conhecimento que me deixou um pouco perturbado, pois repetiu duas vezes que a conversa tinha sido agradável e no cumprimento, apertou a minha mão de forma não habitual para um primeiro conhecimento.

Depois daquilo, fui para casa e lá fui fazendo a minha vida normal.

Continuei a ir ao mesmo café a várias horas, de manhã, à tarde e à noite, mas nunca mais o vi.

 

Um dia tocam à campainha, insistentemente, perguntei quem era e de fora alguém respondeu:

-É o carteiro! Tenho uma encomenda para entregar!

  Normalmente neste tempo quente, (estamos em Agosto), ando sempre com uns pequenos calções, descalço e em tronco nu. Como não era ninguém de importância, desci a escada interior e fui abrir a porta. Qual não é o meu espanto, o carteiro era nem mais nem menos o tal Luís que tinha conhecido no café semanas antes.

 Escorria o suor pela cara a baixo, ficou com os olhos muito esbugalhados a olhar para mim, com uma pequena caixa na mão. Durante uns segundo ficou especado e hirto, adivinhando-se uma certa tremura interior.

Eu ainda fiquei pior, não hirto, mas não sabendo o que dizer ou fazer, até que de repente, saiu-me:

- Ó homem… parece que ficou atrapalhado, afinal já nos conhecemos, não sabia era qual a sua profissão.

- Pois… disse ele mais afoito: eu também não disse que era carteiro!

- Afinal o que me traz a esta hora?

- É… é de facto um pouco mais tarde da hora habitual da distribuição, mas já por cá tinha passado e ninguém atendeu, dei a volta e guardei esta encomenda para a última entrega. Parece que estava a adivinhar ser uma pessoa já conhecida.

Eu vendo o rapaz a transpirar por todos os lados, perguntei-lhe se não queria entrar para beber um copo de água, já que era a última encomenda a entregar.

Um pouco indeciso respondeu:

- Sabe? Nós não podemos entrar nas residências dos destinatários do correio, mas como já nos conhecemos e é aqui que acabo o serviço, agradeço.

Subi a escada e lá veio ele atrás de mim. Fomos até à cozinha e perguntei-lhe se queria antes uma cervejinha fresca, mas disse que não, agora preferia a água. Assim foi, dei-lhe um copo de água fresca, que ele bebeu sofregamente, ao mesmo tempo que não tirava os olhos do meu peito.

Quando acabou de beber, pegou na encomenda, num papel e numa caneta e deu-me dizendo que tinha de assinar em determinado lugar.

Eu peguei no papel e quando ia para segurar a caneta, esta caiu no chão. Ele foi rápido em se baixar para a apanhar e ficou assim, uns segundos olhando com um olhar guloso para o volume que se apercebia por dentro dos meus calções.

Não era preciso dizer nada ou ter qualquer atitude a não ser a minha. Movimentei-me um pouco para a frente, para que o meu coiso fosse parar à sua cara.

Ele ficou na mesma posição de agachado, olhou para cima, fixou-me nos olhos e perguntou: - Posso?

A minha pila parecia que tinha molas, começou logo a crescer e a inchar. Ele sem mais aquelas baixou meus calções, e delicadamente aquele pau que já não era um pau normal mas algo pulsante e irrequieto lá foi penetrando na sua boca.  

Estavam os amigos da fertilidade quase a expulsarem-se por aquela caverna abaixo quando lhe segurei na cabeça e disse: Calma… e fossemos até à cama? Luís acedeu, e começou a despir-se e como dois pombinhos de mãos dadas lá fomos.

Nossos paus se entrelaçaram e nossas bocas se beijaram sofregamente como não houvesse outro momento de prazer próximo.

Passado pouco tempo, luís foi descendo pelo meu corpo beijando-me todo o corpo até voltar com sua língua a circundar toda a glande ao mesmo tempo que beijava copiosamente todo o restante até aos tin-tins. De repente, virando-se num grau de noventa graus e quase sem dar por isso, estávamos numa posição de sessenta e nove. Beijamos sofregamente nossas virilidades penetrando nossos êmbolos em nossas bocas ao mesmo tempo que soltávamos milhares de miúdos ou miúdas que nunca viriam a ser. Ficamos assim durante algum tempo até que nos endireitamos e já cansados nos abraçamos e assim ficámos durante um tempo indeterminado.

Quando acordamos já era noite serrada e o quarto estava totalmente às escuras. Só no teço se viam as horas que eram direccionadas por um relógio de raios lazer que tinha na mesa-de-cabeceira.

- Olha que engraçado. Disse o Luís perante aquela perspectiva. – Nunca tinha visto umas horas projectadas.

- Pois! Disse eu. São “mariquices” que gosto de ter!

- E as mariquices que fixemos! Gostas-te? Perguntou o Luís.

Em resposta nada podia dizer, pois a felicidade naquele dia tinha entrado casa dentro e a forma de responder foi beija-lo.

Nosso corpos voltaram e encontrar-se beijando-nos mutuamente. Comecei por beijar seus mamilos hirtos, desci um pouco mais até aos lados das pernas que a pouco e pouco fui levantando até ficarem numa posição de “acrobata” e comecei a penetra-lo lentamente para que o prazer fosse maior de ambas as partes.

- Não te venhas senão acaba a festa, disse ele. – Também gostava de experimentar.

 Nunca tinha experimentado, mas o momento estava a ser tão inexplicável que disse de mim para mim! Chegou o dia!  

 Julgando ser a posição menos penosa para uma primeira vez, desembaraçámo-nos daquela posição, subi pelo seu corpo e colocando-me em posição de sentado e fui eu que lentamente fui penetrando aquela pila gostosa dentro de mim.

Ambos nos movimentamos num vai e vem frenético até que senti penetrar-me aqueles milhões de espermatozóides ao mesmo tempo que os meus esguichavam direitos aquela boca já minha conhecida horas antes.

Caímos para o lado como coelhos e ali ficámos mais umas horas.

Finalmente tinha tirado os três.

Quando acordámos, fizemos promessas de amor.

Combinámos outra farra. Uma saída ao cinema ou tomar um copo em um qualquer bar em Lisboa, pois Santos ao pé da porta não fazem milagres.

Afinal não é preciso Net para acontecerem estes encontros inesperados, só é preciso estarmos atentos aos sinais que se nos deparam no café, na praia no cinema ou em qualquer outro sítio.

Trocamos telefones e moradas.

Espero que o carteiro volte a tocar.

 

O Caçador

sinto-me: com saudades
a música que estou a ouvir: Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos)
publicado por nelson camacho às 03:22
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Uma Noite de Sexta-feira

Uma Noite de Sexta-feira

Um Bico no cinema

 

     Voltei a Portugal pelo menos á dois meses e tenho andado atarefado com coisas da casa e atender telefonemas dos amigos e amigas que não me largam desde que souberam estar por cá novamente.

Parece que não mas tratar de casa nova, novas decorações baseadas em conceitos que colhi na estranja, principalmente em Paris, onde a forma de estar na vida não tem nada a ver com a nossa, portuguesinho nascido à beira do Tejo, onde só temos a Alfama e o passeio entre e Cais do Sodré e a Torre de Belém. Comparado com as margens do Sena é mesmo outra coisa.

Por aquelas bandas, basta sair descomprometidamente para encontrarmos alguém para conversarmos despreocupadamente e que por vezes acabarmos a tomar um copo no Alexandrine  Opéra nos Champs Elysées, ali mesmo ao pé do Moulin Rouge.

 

Estava numa sexta-feira e desde a data da minha chegada ainda não tinha feito um engate, mesmo depois de numa só noite de ter ido ao “Labirinto” o único bar existente em Lisboa que se assemelha a muitos que existem em Paris e ao “Bar 106”. Contrariamente ao que acontecia antigamente, ou por já não me conhecerem, (estive ausente três anos) não aconteceu nada de novo.

Andava perturbado embora não tenha na minha vida um programa de horas ou dias em que se deve fazer sexo, o que se passava era que efectivamente andava rabugento e sem paciência para aturar os outros, até mesmo os amantes habituais (aqueles que estão sempre prontos e me telefonam permanentemente para fazer amor comigo).

Estava a faltar-me um carinho novo!

     Fazer sexo para mim, é um bálsamo já que a vida nada mais tem de interesse, agora, o quero é goza-la o melhor possível, pois o ‘barqueiro’ já espera, alias, até os médicos mais entendidos no assunto dizem que o sexo é o melhor remédio para o stress e outras doenças mais gravosas, e eu não quero ficar doente.

Já saí do “armário”, pelo menos para as pessoas que me estimam e não olham para mim como se fosse algo de estranho no meio da multidão, estou mais à vontade com a minha consciência, não devo a cabeça a ninguém e se descobrirem as minhas tendências sexuais estou-me nas tintas. Não quero ser vedeta da televisão, portanto, não necessito de andar por aí dizendo que sou gay ou não. O que faço na cama com eles ou com elas, só a nós diz respeito pois já somos pessoas crescidas.

      A solidão é uma chatice, até o mar que vejo da minha varanda altera o meu estado de espírito.

     Sair, por aqui, não sendo a praia, nada mais há. Na Ericeira, tirando dois bares que por lá existem, não são locais de agrado para a malta com quem gosto de conviver, muito menos para o engate, só há “cotas” e estrangeiros quanto aos outros possíveis de engate, porque têm a família junto, fogem para os centros comerciais, cinemas e bares de Lisboa.

- (No outro dia fui jantar com um dos meus meninos a um restaurante na Ericeira e deparei-me com um ‘chavalo’ que já não o via há dez anos, como cresceu, meu Deus e como está lindo, na altura era muito novo e aparentemente é bastante desinibido, trocamos alguns piropos e prometi lá voltar numa outra noite, mas sozinho.

     Também eu, quando não me apetece escrever ou ir para a praia, vou até Lisboa ou Cascais, pois já a minha avó dizia atenção filho, olha que “Santos ao pé da porta não fazem milagres”.

 

     Foi assim, com este espírito e esta falta de um carinho novo que numa sexta-feira fui até ao Choping de Cascais.

 

Já andava a dar em doido, há dois meses que não fazia sexo e já andava a entrar em paranóia.

     Já não me bastava ter o problema de ser heterossexual sem namorada, como cada vez mais gostar de pessoas do mesmo sexo para fazer amor e menos apetite para as raparigas e ainda por cima não conseguir estar mais de uma semana em jejum.

 

     Dentro do centro comercial, lá fui andando como barata tonta, mas sem dar nas vistas, pois não é o meu género, olhando, olhando e cobiçando os rapazinhos que estavam à venda, tal e qual como casacos de veludo, ou então, máquinas de lavar, sapatos de camurça, ou camisas de marca, afinal era tudo uma questão de preço, e o mercado é bem livre e concorrido por aquelas bandas!

     Troca de olhares com este e com o outro, um esgar de concordância mútua aqui e ali, uma troca de conversa de circunstância com um ou com outro a propósito da chave do carro que se deixou cair propositadamente ou utilizar açúcar em vez de adoçante no café, ou ainda o truque mais velho do mundo que é o do pedir lume para acender o cigarro, chegava-se sempre à conclusão que todos estavam à venda o que para mim, é uma situação que não serve. - Não troco sexo por dinheiro e ainda estou em condições de não precisar de utilizar prostitutos ou putas de qualquer esquina ou hotel. Só faço sexo por amor, quem quiser quer quem não quiser que vá andando, que há muito quem queira -.

 

     A coisa estava feia, embora já sabendo que pelo menos no meu caso, quando vou para o engate, nada acontece, as coisas ao longo da vida tem sempre acontecido normalmente, foi com este espírito que comprei um bilhete para o cinema (nem vi qual era o titulo do filme), o que queria era espairecer aquela ideia que me atormentava de fazer sexo naquela noite.

 

Sentei-me o mais comodamente possível, as luzes apagaram-se e lá veio o filme. Era mais uma lamechice de amor à qual não estava a ligar qualquer importância até porque comecei a sentir uma perna encostada à minha, fazendo uma certa pressão, do género encosta e não encosta.

 Olhei para o lado e lá estava aquilo que há tantas horas procurava. Não era das coisas mais lindas de morrer, mas pelo menos tinha muito bom aspecto e novo, teria ai para os vinte anos, bem vestido e sem qualquer sinal de prostituto ou bichanado. Comecei por corresponder ao ataque de perna e de repente senti uma mão a aproximar-se do meu coiso que já se encontrava bem rijo. Como naquele dia tinha vestido uns boxers o coiso estava mais à vontade e sendo as calças também um pouco largas, era possível agarra-lo com mais displicência.

     Estava a vir-me aos bocadinhos e com uma vontade tremenda de me agarrar aqueles lábios que até eram bastante sensuais quando veio o intervalo do filme.

Felizmente que a sala tinha pouca gente e nem atrás nem dos lados tinha espectadores e assim, a mão do tal rapaz permaneceu agarrada ao meu coiso.

 Agora já sem a escuridão da sala pudemo-nos contemplar mutuamente. Levantei-me e fui até á casa de banho e o tal rapaz seguiu-me. Na dita, não estava qualquer pessoa, dirigimo-nos aos mictórios, fizemos um xixi, enquanto tocava o sinal sonoro avisando que iria recomeçar a sessão, olhamos para os nossos coisos, ficámos satisfeitos com o que vimos e sem trocar qualquer palavra entramos no privado.

     Beijámo-nos roscando nossas línguas sedentas de amor, abraçamo-nos e comecei a sentir as sua mãos metidas nas minhas calças abrindo a braguilha e retirando o coiso cá para fora. O moço, baixou-se e sofregamente começou por dar uns beijos acabando por meter na sua boca gostosa aquele meu coiso que já não podia engrossar mais. Fodi aquela boca gostosa num vai e vem constante que ia apertando de acordo com o meu movimento. Alguns minutos bastaram para guinchar e vir-me como uma vaca maluca. O tal rapaz de joelhos também com uma punheta se veio estremecendo todo. Levantou-se, limpou a boca e sem dizer qualquer palavra, abriu a porta do privado e saiu.

 

     Nunca ouvi uma palavra sua, pelo que nem sei se é seu feitio ou se era mudo.

 

PARTE II

 

 

O Términos da Sexta-Feira

 

 

 

Foi assim, até de manhã

 

     Não voltei à sala de espectáculos, fui até um café, bebi o dito e um bolo e repensando em tudo o que me tinha acontecido por ali fiquei sentado olhando e cobiçando a rapaziada que àquela hora ainda iam por ali andando, simplesmente rondando ou procurando companhia.

Àquela hora já havia pouca gente e o centro quase a fechar, já poucos prostitutos por ali passavam, o mercado já não estava com interesse, de qualquer maneira e porque já estava meio satisfeito também só estava apensar ir para casa.

Dei o pensamento por concretizado, chamei o empregado para pagar a despesa.

Aparece-me à frente um moço já sem o fato de trabalho e diz: - Desculpe já não estar fardado mas como sou o filho do patrão e já estamos a fechar e os empregados já se foram embora.

 

- O rapaz tinha uma voz tão sensual e uma forma corporal tão atlética que de imediato me lembrei dos meus tempos em que quando procurava não encontrava mas noutras ocasiões, por coincidências do destino conseguia fazer dois e três cabritos num dia -. De repente, veio-me uma luz e disse:

- Não faz mal, só é pena porque me apetecia um Whisky para finalizar a noite, pois o filme foi uma estopada.

O Luís pois é esse o seu nome que vim a saber mais tarde, olhou para mim olhos nos olhos, fez um trejeito aos lábios e ripostou:

- Lá por causa disso, não lhe sirvo o Scotch aqui porque já estamos fechados, mas como quem fecha a caixa hoje é o meu pai, posso pagar-lhe o tal Whisky num bar muito simpático que existe em Fontanelas, só temos é que levar dois carros para depois cada um ir à sua vida.

Tudo dentro de mim estremeceu e só pude dizer um pouco surpreso:

- Está bem! É … é … uma boa ideia, espero por ti junto à entrada principal, o meu carro é um Audi Sport vermelho, é fácil de detectar.

 

Encontrámo-nos à porta do centro quinze minutos depois. Cada um foi para o seu carro depois de combinarmos encontrarmo-nos em Fontanelas num bar muito simpático que lá existe.

Assim ficou combinado sem antes o Luís de repente me ter dado um beijo. - Afinal o fim daquela sexta-feira prometia -.

 

Segui o Luís no seu Uno amarelo até ao tal bar de Fontanelas. Foram bons aqueles quilómetros, com as janelas abertas tomando o ar da noite lá me fui refazendo do “bico” que o ‘mudo’ me tinha feito no cinema e me tinha vindo que nem uma vaca.

Parámos os carros no largo que existe mesmo em frente do tal bar, olhamos um para o outro bem olhados e entrámos. Cada um tomou o seu J&B, eu com um pouco de água de castelo, pois queria estar em forma para o resto na noite e o Luís, simples com uma pedra de gelo, como quem quer ganhar coragem para o resto que iria acontecer.

Falámos das coisas mais triviais que na ocasião se pode tratar.

O Luís contou-me que vivia só com o pai que era um “gajo” porreiro, sabia das suas tendências da sexualidade, não se opunha e só o alertava para as companhias que fosse conhecendo.

Por incrível que pareça (embora ao longo a vida várias vezes andasse com rapazes com autorizações dos pais, o que se dever a ser um tipo discreto e bem formado) contou-me que antes de sair do café informou o pai, que tinha conhecido um tipo e que ia com ele, por traz do balcão o pai viu-me e disse que tinha bom aspecto e cara de sério (de facto ai não se enganou).

Perante esta divulgação um pouco inesperada, vi que estava a lidar com um moço de princípios e que nada tinha a ver com essas baratas tontas que andam por ai ao engate do primeiro machão que lhes aparece. Fui obrigado também a contar um pouco da minha vida, não contando claro está o que já me tinha acontecido naquela noite, mas que gostava de fazer amor com rapazes, dos 20 aos 25 e não de homens já feitos, vivia só e por coincidência ali perto, e junto ao mar.

Quanto à questão das idades, ficámos a saber que tinha-mos algo em comum, ele tinha dezanove anos, portanto dentro dos parâmetros de meu gosto, e eu já era “cota” ou seja, também era o gosto dele, ainda por cima pelo meu aspecto também tinha tido a aprovação do pai.

Falámos, falámos, tomámos mais um copo, até que o empregado nos veio pedir desculpas mas já eram três da manhã e tinham de fechar.

Conforme tinha prometido, o Luís pagou a despesa, como esta não foi um simples Whisky, fiz questão de comparticipar também na despesa mas a resposta veio pronta e rápida:

- Deixa lá, pagas noutra ocasião porque hoje, fui eu que convidei, se quiseres, (rindo-se) pagas com o corpo. (assim foi efectivamente).

 

Chegados á rua, aproximámo-nos dos carros e finalmente dissemos um ao outro onde efectivamente tínhamos nossas casas. Coincidências das coincidências, o Luís morava numa rua perto da minha e nunca nos tínhamos encontrado o que quer dizer que a minha avó não tinha total razão com o seu dito “Santos ao pé da porta não fazem milagres”, certamente a ideia era que os conhecimentos podem não dar bons resultados quando são feitos entre vizinhos, e não era o caso, pois foi uma pura coincidência e não nos tínhamos ainda conhecido na vila.

 

Como eu estava só e o Luís tinha o Pai em casa, resolvemos ir para a minha.

 

Entrámos na sala, coloquei um CD de música clássica, ele quando verificou que existia uma luz vermelha por cima da aparelhagem, apagou todas as outras e ficou somente aquela a dar-nos aquele tom suave de amor, abraçámo-nos, beijamo-nos e sofregamente fomos arrancando a roupa um ao outro, mergulhamo-nos nos corpos sedentos de amor como se fosse a última tentação e logo ali, enlouquecidos com tanta sofreguidão atingimos o clímax total.

 

Atirámo-nos para o sofá abraçados e por ali estivemos mais uns momentos saboreando-nos com beijos e ternuras como há muito não tinha. Nossos corpos suados de tantos amores iam sendo lambidos a pouco e pouco e nossos paus também muito apertados um ao outro lá iam murchando pois já tinham feito a sua obrigação.

 

Talvez uma meia hora depois, Luís, perguntou-me se podia tomar um duche, disse de imediato que sim mas se não se importa-se eu ia primeiro, fui buscar um roube que lho dei para se vestir. Enquanto eu tomava o duche, que foi rápido, a minha mente não parava de pensar no resto da noite que se adivinhava.

Quando sai do banheiro, ele entrou. Enquanto ele tomava o seu duche revigorante, fui fazer uns ovos mexidos acompanhados com cogumelos, bacon, espargos, tiras de fiambre e queijo. Tudo numa travessa onde estavam dois flûtes para o champagne que coloquei por cima do frigo-bar que tenho no quarto, acendi a luz negra, deixei a porta do quarto entreaberta e deitei-me nu, à espera do resultado.

 

Há muito que não tinha uma visão tão bela. Vestido com o meu roube de seda, com ramagens azuis reflectidas na entre abertura da porta pela luz negra que emanava de uma das paredes do quarto, Luís vinha entrando com a calma de um fantasma de sonho. O rapaz que tinha conhecido horas antes por um acaso milagroso de facto, mais parecia um sonho retirado de uma peça de teatro.

 

À medida que ia entrando quarto dentro ia-se despindo, seu corpo torneado de formas um pouco atléticas e bronzeado natural da praia, olhos azuis penetrantes, mas um pouco intrigados e todos aqueles salpicos florescentes ocasionados pela luz negra, à medida que o roube de seda lhe ia caindo suavemente pelo corpo dava-lhe a beleza de uma cena de uma qualquer ópera de Verdi.

 

Para aquele espectáculo se o tivesse adivinhado, teria colocado na aparelhagem do quarto um CD com a área “La Vergine degli Angeli” da “Ópera La force du destin”, então sim, seria o espectáculo completo, pois tudo o que estava acontecer era efectivamente “A Força do Destino”.

 

Luís em vês de se dirigir para a cama, não, deu a volta pelo quarto, foi até ao frigo-bar pegou num só flûte encheu de champanhe dirigiu-se a mim, deu-me de beber um pouco, depois bebeu também um pouco e deitou o resto pelo meu corpo.

 

(Amigo ou amiga que me lê! Que mais se pode dizer deste acto de amor que deve acontecer raramente?)

 

Entrelaçámos-mos loucamente e nos beijamos perdidamente lembrando Florbela Espanca.

 

“Só quem embala no peito

Dores amargas e secretas

É que em noites de luar

Pode entender os poetas”

 

Efectivamente, naquele momento, estava a acontecer poesia! Para se amar em toda a sua plenitude é preciso ser-se poeta e melómano, esquecermo-nos da vida do tempo e das horas!

Por graça, contei o meu pensamento sobre a sua aparição na sua entrada no quarto e qual não é o meu espanto e me diz:

- Porque razão não põe a tocar, mas baixinho, a Ópera Aida?

Fiquei ainda mais louco, e como tenho todas essas músicas em play-list no computador, em um só minuto, lá pus a tocar a tal Ópera.

“O sonho comanda a vida” diz o poeta, mas o que estava a acontecer não era um sonho, era a realidade.

Não sei se têm ou se gostam, mas experimentem fazer amor (mas só com a pessoa indicada) ouvindo muito baixinho aquela Ópera, vão ver que o orgasmo é permanente.

 

Há muito que não sentia tanto prazer, mergulhamo-nos nos nossos corpos transformando-nos numa só peça humana, depois daqueles beijos ardentes percorrendo-nos, fomos até às partes mais rijas e salientes que já estavam gotejando de espermas misturados com o champanhe que entretanto ia percorrendo nosso corpos reluzentes pela luz negra que emanava por cima da cabeceira da cama.

Virámo-nos várias vezes para que nossas pilas penetrassem alternadamente dentro dos nossos corpos.

Levámos horas nisto com pequenos orgasmos sucessivos até atingirmos o clímax sexual total.

Já não ouve pachorra para nos irmos lavar, a música já tinha acabado e a função também, eram seis da manhã, o Sol já entrava pelas janelas, adormecemos agarrados e dormimos como dois anjos.

   

(Afinal,” Os santos ao pé da porta sempre fazem milagres”!)

 

Hoje somos amantes! Luís, e porque não consigo ser fiel a uma só pessoa, faz parte da minha colecção mas é uma pessoa muito especial.

Quando ele tem tempo, fica em minha casa, ouvimos música, tomamos um copo e fazemos amor até às tantas.

 

Ele é um puto muito especial e adorável, se pudesse, casava com ele e então sim, passaria a ser fiel a uma só pessoa.

 

 

O Caçador

sinto-me: Voltei a contar histórias
a música que estou a ouvir: Passaro de fogo de Roberto Carlos
publicado por nelson camacho às 19:52
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