.Art.13º, n.º da Constituição

"Ninguém pode ser privilegiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça,língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual"

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Feliz Ano Novo para todos

capa calendário para 2012

Esta é para todos os amiguinhos que veem a este sitio

 

Que o ano que se aproxima seja o mais feliz de todos para vocês. Dêem azo à imaginação e mesmo com todas as troikas que entraram pelo nosso país fora tenham imaginação para poderem vencer na vida com toda a plenitude.

Trabalhem e façam amor com contenção e tenham em conta que tudo o que é bom, não é para sempre. Contenham-se nas aventuras ocasionais pois nem tudo o que parece é. Como dizia o outro “nem tudo o que luz é ouro”.

Para o novo ano volto com novas histórias fresquinhas.

 

 

Esta é só para ti

Quero esquecer-te e não posso

pedro miguel e nelson camacho em 1994

 

 

Faltam duas noites para terminar mais um ano, assim como faz catorze anos que partiste! Vou de férias por uns dias, vou meter-me na minha concha e retirar da minha caixinha de recordações aquele momento de há catorze anos. Vou estar acompanhados de amigos do peito porque:

 

Quero esquecer-te

 

Na minha agenda

Anotei para que me esqueça

Os teus beijos e carícias

O teu olhar e a voz

O teu andar e o jeito

De ajeitares o cabelo

A para da memória apagar

Todos os dias eu lembro

Aquilo que devo esquecer.

 

    Depois do prazer com alexandre pires

Nelson Camacho D'Magoito

 

sinto-me: e triste ao mesmo tempo
a música que estou a ouvir: depois do prazer (de Alexandre Pires e Alcione)
publicado por nelson camacho às 01:09
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Uma Noite de Sexta-feira

Uma Noite de Sexta-feira

Um Bico no cinema

 

     Voltei a Portugal pelo menos á dois meses e tenho andado atarefado com coisas da casa e atender telefonemas dos amigos e amigas que não me largam desde que souberam estar por cá novamente.

Parece que não mas tratar de casa nova, novas decorações baseadas em conceitos que colhi na estranja, principalmente em Paris, onde a forma de estar na vida não tem nada a ver com a nossa, portuguesinho nascido à beira do Tejo, onde só temos a Alfama e o passeio entre e Cais do Sodré e a Torre de Belém. Comparado com as margens do Sena é mesmo outra coisa.

Por aquelas bandas, basta sair descomprometidamente para encontrarmos alguém para conversarmos despreocupadamente e que por vezes acabarmos a tomar um copo no Alexandrine  Opéra nos Champs Elysées, ali mesmo ao pé do Moulin Rouge.

 

Estava numa sexta-feira e desde a data da minha chegada ainda não tinha feito um engate, mesmo depois de numa só noite de ter ido ao “Labirinto” o único bar existente em Lisboa que se assemelha a muitos que existem em Paris e ao “Bar 106”. Contrariamente ao que acontecia antigamente, ou por já não me conhecerem, (estive ausente três anos) não aconteceu nada de novo.

Andava perturbado embora não tenha na minha vida um programa de horas ou dias em que se deve fazer sexo, o que se passava era que efectivamente andava rabugento e sem paciência para aturar os outros, até mesmo os amantes habituais (aqueles que estão sempre prontos e me telefonam permanentemente para fazer amor comigo).

Estava a faltar-me um carinho novo!

     Fazer sexo para mim, é um bálsamo já que a vida nada mais tem de interesse, agora, o quero é goza-la o melhor possível, pois o ‘barqueiro’ já espera, alias, até os médicos mais entendidos no assunto dizem que o sexo é o melhor remédio para o stress e outras doenças mais gravosas, e eu não quero ficar doente.

Já saí do “armário”, pelo menos para as pessoas que me estimam e não olham para mim como se fosse algo de estranho no meio da multidão, estou mais à vontade com a minha consciência, não devo a cabeça a ninguém e se descobrirem as minhas tendências sexuais estou-me nas tintas. Não quero ser vedeta da televisão, portanto, não necessito de andar por aí dizendo que sou gay ou não. O que faço na cama com eles ou com elas, só a nós diz respeito pois já somos pessoas crescidas.

      A solidão é uma chatice, até o mar que vejo da minha varanda altera o meu estado de espírito.

     Sair, por aqui, não sendo a praia, nada mais há. Na Ericeira, tirando dois bares que por lá existem, não são locais de agrado para a malta com quem gosto de conviver, muito menos para o engate, só há “cotas” e estrangeiros quanto aos outros possíveis de engate, porque têm a família junto, fogem para os centros comerciais, cinemas e bares de Lisboa.

- (No outro dia fui jantar com um dos meus meninos a um restaurante na Ericeira e deparei-me com um ‘chavalo’ que já não o via há dez anos, como cresceu, meu Deus e como está lindo, na altura era muito novo e aparentemente é bastante desinibido, trocamos alguns piropos e prometi lá voltar numa outra noite, mas sozinho.

     Também eu, quando não me apetece escrever ou ir para a praia, vou até Lisboa ou Cascais, pois já a minha avó dizia atenção filho, olha que “Santos ao pé da porta não fazem milagres”.

 

     Foi assim, com este espírito e esta falta de um carinho novo que numa sexta-feira fui até ao Choping de Cascais.

 

Já andava a dar em doido, há dois meses que não fazia sexo e já andava a entrar em paranóia.

     Já não me bastava ter o problema de ser heterossexual sem namorada, como cada vez mais gostar de pessoas do mesmo sexo para fazer amor e menos apetite para as raparigas e ainda por cima não conseguir estar mais de uma semana em jejum.

 

     Dentro do centro comercial, lá fui andando como barata tonta, mas sem dar nas vistas, pois não é o meu género, olhando, olhando e cobiçando os rapazinhos que estavam à venda, tal e qual como casacos de veludo, ou então, máquinas de lavar, sapatos de camurça, ou camisas de marca, afinal era tudo uma questão de preço, e o mercado é bem livre e concorrido por aquelas bandas!

     Troca de olhares com este e com o outro, um esgar de concordância mútua aqui e ali, uma troca de conversa de circunstância com um ou com outro a propósito da chave do carro que se deixou cair propositadamente ou utilizar açúcar em vez de adoçante no café, ou ainda o truque mais velho do mundo que é o do pedir lume para acender o cigarro, chegava-se sempre à conclusão que todos estavam à venda o que para mim, é uma situação que não serve. - Não troco sexo por dinheiro e ainda estou em condições de não precisar de utilizar prostitutos ou putas de qualquer esquina ou hotel. Só faço sexo por amor, quem quiser quer quem não quiser que vá andando, que há muito quem queira -.

 

     A coisa estava feia, embora já sabendo que pelo menos no meu caso, quando vou para o engate, nada acontece, as coisas ao longo da vida tem sempre acontecido normalmente, foi com este espírito que comprei um bilhete para o cinema (nem vi qual era o titulo do filme), o que queria era espairecer aquela ideia que me atormentava de fazer sexo naquela noite.

 

Sentei-me o mais comodamente possível, as luzes apagaram-se e lá veio o filme. Era mais uma lamechice de amor à qual não estava a ligar qualquer importância até porque comecei a sentir uma perna encostada à minha, fazendo uma certa pressão, do género encosta e não encosta.

 Olhei para o lado e lá estava aquilo que há tantas horas procurava. Não era das coisas mais lindas de morrer, mas pelo menos tinha muito bom aspecto e novo, teria ai para os vinte anos, bem vestido e sem qualquer sinal de prostituto ou bichanado. Comecei por corresponder ao ataque de perna e de repente senti uma mão a aproximar-se do meu coiso que já se encontrava bem rijo. Como naquele dia tinha vestido uns boxers o coiso estava mais à vontade e sendo as calças também um pouco largas, era possível agarra-lo com mais displicência.

     Estava a vir-me aos bocadinhos e com uma vontade tremenda de me agarrar aqueles lábios que até eram bastante sensuais quando veio o intervalo do filme.

Felizmente que a sala tinha pouca gente e nem atrás nem dos lados tinha espectadores e assim, a mão do tal rapaz permaneceu agarrada ao meu coiso.

 Agora já sem a escuridão da sala pudemo-nos contemplar mutuamente. Levantei-me e fui até á casa de banho e o tal rapaz seguiu-me. Na dita, não estava qualquer pessoa, dirigimo-nos aos mictórios, fizemos um xixi, enquanto tocava o sinal sonoro avisando que iria recomeçar a sessão, olhamos para os nossos coisos, ficámos satisfeitos com o que vimos e sem trocar qualquer palavra entramos no privado.

     Beijámo-nos roscando nossas línguas sedentas de amor, abraçamo-nos e comecei a sentir as sua mãos metidas nas minhas calças abrindo a braguilha e retirando o coiso cá para fora. O moço, baixou-se e sofregamente começou por dar uns beijos acabando por meter na sua boca gostosa aquele meu coiso que já não podia engrossar mais. Fodi aquela boca gostosa num vai e vem constante que ia apertando de acordo com o meu movimento. Alguns minutos bastaram para guinchar e vir-me como uma vaca maluca. O tal rapaz de joelhos também com uma punheta se veio estremecendo todo. Levantou-se, limpou a boca e sem dizer qualquer palavra, abriu a porta do privado e saiu.

 

     Nunca ouvi uma palavra sua, pelo que nem sei se é seu feitio ou se era mudo.

 

PARTE II

 

 

O Términos da Sexta-Feira

 

 

 

Foi assim, até de manhã

 

     Não voltei à sala de espectáculos, fui até um café, bebi o dito e um bolo e repensando em tudo o que me tinha acontecido por ali fiquei sentado olhando e cobiçando a rapaziada que àquela hora ainda iam por ali andando, simplesmente rondando ou procurando companhia.

Àquela hora já havia pouca gente e o centro quase a fechar, já poucos prostitutos por ali passavam, o mercado já não estava com interesse, de qualquer maneira e porque já estava meio satisfeito também só estava apensar ir para casa.

Dei o pensamento por concretizado, chamei o empregado para pagar a despesa.

Aparece-me à frente um moço já sem o fato de trabalho e diz: - Desculpe já não estar fardado mas como sou o filho do patrão e já estamos a fechar e os empregados já se foram embora.

 

- O rapaz tinha uma voz tão sensual e uma forma corporal tão atlética que de imediato me lembrei dos meus tempos em que quando procurava não encontrava mas noutras ocasiões, por coincidências do destino conseguia fazer dois e três cabritos num dia -. De repente, veio-me uma luz e disse:

- Não faz mal, só é pena porque me apetecia um Whisky para finalizar a noite, pois o filme foi uma estopada.

O Luís pois é esse o seu nome que vim a saber mais tarde, olhou para mim olhos nos olhos, fez um trejeito aos lábios e ripostou:

- Lá por causa disso, não lhe sirvo o Scotch aqui porque já estamos fechados, mas como quem fecha a caixa hoje é o meu pai, posso pagar-lhe o tal Whisky num bar muito simpático que existe em Fontanelas, só temos é que levar dois carros para depois cada um ir à sua vida.

Tudo dentro de mim estremeceu e só pude dizer um pouco surpreso:

- Está bem! É … é … uma boa ideia, espero por ti junto à entrada principal, o meu carro é um Audi Sport vermelho, é fácil de detectar.

 

Encontrámo-nos à porta do centro quinze minutos depois. Cada um foi para o seu carro depois de combinarmos encontrarmo-nos em Fontanelas num bar muito simpático que lá existe.

Assim ficou combinado sem antes o Luís de repente me ter dado um beijo. - Afinal o fim daquela sexta-feira prometia -.

 

Segui o Luís no seu Uno amarelo até ao tal bar de Fontanelas. Foram bons aqueles quilómetros, com as janelas abertas tomando o ar da noite lá me fui refazendo do “bico” que o ‘mudo’ me tinha feito no cinema e me tinha vindo que nem uma vaca.

Parámos os carros no largo que existe mesmo em frente do tal bar, olhamos um para o outro bem olhados e entrámos. Cada um tomou o seu J&B, eu com um pouco de água de castelo, pois queria estar em forma para o resto na noite e o Luís, simples com uma pedra de gelo, como quem quer ganhar coragem para o resto que iria acontecer.

Falámos das coisas mais triviais que na ocasião se pode tratar.

O Luís contou-me que vivia só com o pai que era um “gajo” porreiro, sabia das suas tendências da sexualidade, não se opunha e só o alertava para as companhias que fosse conhecendo.

Por incrível que pareça (embora ao longo a vida várias vezes andasse com rapazes com autorizações dos pais, o que se dever a ser um tipo discreto e bem formado) contou-me que antes de sair do café informou o pai, que tinha conhecido um tipo e que ia com ele, por traz do balcão o pai viu-me e disse que tinha bom aspecto e cara de sério (de facto ai não se enganou).

Perante esta divulgação um pouco inesperada, vi que estava a lidar com um moço de princípios e que nada tinha a ver com essas baratas tontas que andam por ai ao engate do primeiro machão que lhes aparece. Fui obrigado também a contar um pouco da minha vida, não contando claro está o que já me tinha acontecido naquela noite, mas que gostava de fazer amor com rapazes, dos 20 aos 25 e não de homens já feitos, vivia só e por coincidência ali perto, e junto ao mar.

Quanto à questão das idades, ficámos a saber que tinha-mos algo em comum, ele tinha dezanove anos, portanto dentro dos parâmetros de meu gosto, e eu já era “cota” ou seja, também era o gosto dele, ainda por cima pelo meu aspecto também tinha tido a aprovação do pai.

Falámos, falámos, tomámos mais um copo, até que o empregado nos veio pedir desculpas mas já eram três da manhã e tinham de fechar.

Conforme tinha prometido, o Luís pagou a despesa, como esta não foi um simples Whisky, fiz questão de comparticipar também na despesa mas a resposta veio pronta e rápida:

- Deixa lá, pagas noutra ocasião porque hoje, fui eu que convidei, se quiseres, (rindo-se) pagas com o corpo. (assim foi efectivamente).

 

Chegados á rua, aproximámo-nos dos carros e finalmente dissemos um ao outro onde efectivamente tínhamos nossas casas. Coincidências das coincidências, o Luís morava numa rua perto da minha e nunca nos tínhamos encontrado o que quer dizer que a minha avó não tinha total razão com o seu dito “Santos ao pé da porta não fazem milagres”, certamente a ideia era que os conhecimentos podem não dar bons resultados quando são feitos entre vizinhos, e não era o caso, pois foi uma pura coincidência e não nos tínhamos ainda conhecido na vila.

 

Como eu estava só e o Luís tinha o Pai em casa, resolvemos ir para a minha.

 

Entrámos na sala, coloquei um CD de música clássica, ele quando verificou que existia uma luz vermelha por cima da aparelhagem, apagou todas as outras e ficou somente aquela a dar-nos aquele tom suave de amor, abraçámo-nos, beijamo-nos e sofregamente fomos arrancando a roupa um ao outro, mergulhamo-nos nos corpos sedentos de amor como se fosse a última tentação e logo ali, enlouquecidos com tanta sofreguidão atingimos o clímax total.

 

Atirámo-nos para o sofá abraçados e por ali estivemos mais uns momentos saboreando-nos com beijos e ternuras como há muito não tinha. Nossos corpos suados de tantos amores iam sendo lambidos a pouco e pouco e nossos paus também muito apertados um ao outro lá iam murchando pois já tinham feito a sua obrigação.

 

Talvez uma meia hora depois, Luís, perguntou-me se podia tomar um duche, disse de imediato que sim mas se não se importa-se eu ia primeiro, fui buscar um roube que lho dei para se vestir. Enquanto eu tomava o duche, que foi rápido, a minha mente não parava de pensar no resto da noite que se adivinhava.

Quando sai do banheiro, ele entrou. Enquanto ele tomava o seu duche revigorante, fui fazer uns ovos mexidos acompanhados com cogumelos, bacon, espargos, tiras de fiambre e queijo. Tudo numa travessa onde estavam dois flûtes para o champagne que coloquei por cima do frigo-bar que tenho no quarto, acendi a luz negra, deixei a porta do quarto entreaberta e deitei-me nu, à espera do resultado.

 

Há muito que não tinha uma visão tão bela. Vestido com o meu roube de seda, com ramagens azuis reflectidas na entre abertura da porta pela luz negra que emanava de uma das paredes do quarto, Luís vinha entrando com a calma de um fantasma de sonho. O rapaz que tinha conhecido horas antes por um acaso milagroso de facto, mais parecia um sonho retirado de uma peça de teatro.

 

À medida que ia entrando quarto dentro ia-se despindo, seu corpo torneado de formas um pouco atléticas e bronzeado natural da praia, olhos azuis penetrantes, mas um pouco intrigados e todos aqueles salpicos florescentes ocasionados pela luz negra, à medida que o roube de seda lhe ia caindo suavemente pelo corpo dava-lhe a beleza de uma cena de uma qualquer ópera de Verdi.

 

Para aquele espectáculo se o tivesse adivinhado, teria colocado na aparelhagem do quarto um CD com a área “La Vergine degli Angeli” da “Ópera La force du destin”, então sim, seria o espectáculo completo, pois tudo o que estava acontecer era efectivamente “A Força do Destino”.

 

Luís em vês de se dirigir para a cama, não, deu a volta pelo quarto, foi até ao frigo-bar pegou num só flûte encheu de champanhe dirigiu-se a mim, deu-me de beber um pouco, depois bebeu também um pouco e deitou o resto pelo meu corpo.

 

(Amigo ou amiga que me lê! Que mais se pode dizer deste acto de amor que deve acontecer raramente?)

 

Entrelaçámos-mos loucamente e nos beijamos perdidamente lembrando Florbela Espanca.

 

“Só quem embala no peito

Dores amargas e secretas

É que em noites de luar

Pode entender os poetas”

 

Efectivamente, naquele momento, estava a acontecer poesia! Para se amar em toda a sua plenitude é preciso ser-se poeta e melómano, esquecermo-nos da vida do tempo e das horas!

Por graça, contei o meu pensamento sobre a sua aparição na sua entrada no quarto e qual não é o meu espanto e me diz:

- Porque razão não põe a tocar, mas baixinho, a Ópera Aida?

Fiquei ainda mais louco, e como tenho todas essas músicas em play-list no computador, em um só minuto, lá pus a tocar a tal Ópera.

“O sonho comanda a vida” diz o poeta, mas o que estava a acontecer não era um sonho, era a realidade.

Não sei se têm ou se gostam, mas experimentem fazer amor (mas só com a pessoa indicada) ouvindo muito baixinho aquela Ópera, vão ver que o orgasmo é permanente.

 

Há muito que não sentia tanto prazer, mergulhamo-nos nos nossos corpos transformando-nos numa só peça humana, depois daqueles beijos ardentes percorrendo-nos, fomos até às partes mais rijas e salientes que já estavam gotejando de espermas misturados com o champanhe que entretanto ia percorrendo nosso corpos reluzentes pela luz negra que emanava por cima da cabeceira da cama.

Virámo-nos várias vezes para que nossas pilas penetrassem alternadamente dentro dos nossos corpos.

Levámos horas nisto com pequenos orgasmos sucessivos até atingirmos o clímax sexual total.

Já não ouve pachorra para nos irmos lavar, a música já tinha acabado e a função também, eram seis da manhã, o Sol já entrava pelas janelas, adormecemos agarrados e dormimos como dois anjos.

   

(Afinal,” Os santos ao pé da porta sempre fazem milagres”!)

 

Hoje somos amantes! Luís, e porque não consigo ser fiel a uma só pessoa, faz parte da minha colecção mas é uma pessoa muito especial.

Quando ele tem tempo, fica em minha casa, ouvimos música, tomamos um copo e fazemos amor até às tantas.

 

Ele é um puto muito especial e adorável, se pudesse, casava com ele e então sim, passaria a ser fiel a uma só pessoa.

 

 

O Caçador

sinto-me: Voltei a contar histórias
a música que estou a ouvir: Passaro de fogo de Roberto Carlos
publicado por nelson camacho às 19:52
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Homofobia na Escola

 

Educação Sexual nas Escolas

  

  Se bem me lembro a última história que escrevi neste blog foi em Setembro, vocês podem não saber mas este tipo de escrita não é tão fácil como parece.

     Se dou esta explicação é porque tenho recebido vários e-mails a protestarem, inclusive perguntando de estou de férias, ou não tem acontecido nada de nota ou ainda de tenho nova companhia e estou-me nas tintas para os leitores. Pois bem, não é nada disso, simplesmente tenho-me dedicado a escrever sobre outros temas em outros bloges que nada têm a ver com Histórias Eróticas entre gays.

     Actualmente tem havido uma guerra entre a Ministra da Cultura e os professores que por tabela quem se vai tramar é o aluno. Eles dizem que não, mas não é verdade na medida em que se os professores não tiverem condições de trabalho e não estiverem psicologicamente preparados para o ensino, a coisa sai torta.

     Há professores que se aguentam à bronca outros não acontece até que derivado à má formação de alguns – embora sejam poucos felizmente – a coisa pode descambar para também a má formação dos alunos.

     O que aqui hoje venho contar não é uma história inventada por mim, mas sim um relato sobre o procedimento de uma professora e que me foi enviado por e-mail.

 

 

 

Homofobia se aprende na escola

Felipe Luckmann


 

“No colégio aprendemos coisas úteis, deixamos de aprender outras mais úteis ainda, ou então, aprendemos o que nunca deveria ser ensinado a ninguém. O último caso é o da homofobia. Ela, infelizmente, é doutrinada em nossas instituições de ensino, que servem assim para perpetuar preconceitos já enraizados na nossa sociedade. É lamentável, já que o papel do colégio é (ou deveria ser) fazer o aluno pensar e principalmente repensar o mundo. Mas não é isso o que acontece. Ele é instigado a repetir padrões de comportamento e conduta já consagrados.

Quem é o responsável por esse quadro? Um deles é o professor, sem dúvida. Afinal, ele representa a figura de autoridade e de "sabedoria" dentro da sala de aula.

 

Vou citar um exemplo verídico, e que aconteceu comigo mesmo. No último ano do ensino médio, tive a infelicidade de ter como professora de biologia uma profissional extremamente preconceituosa e reaccionária. Dizia incontáveis absurdos contra os homossexuais. E seu falar era convicto, com uma paixão assustadora. O pior, é que ela adorava abordar a temática sexualidade nas suas aulas, apesar de não ter formação para tal e entender nada do assunto.

 

Certa vez, ela explicava o ciclo menstrual feminino. Como alguns colegas (meninos) meus conversavam e não prestavam atenção no que ela falava, a dita cuja interrompeu a aula e proferiu a pérola: "Vocês aí, prestem atenção. Eu quero que vocês entendam a mulher de vocês quando casarem. Porque eu rezo todos os dias para que vocês só tenham relacionamentos com mulheres. Infelizmente, nem sempre isso acontece...". Preciso dizer mais alguma coisa? Uóóóó!

 

          E tem mais. Em outra ocasião, ela discorria sobre vaginas, não lembro o motivo. Comentou o fato da boa visualização do órgão que certas revistas adultas eróticas propiciam. Ela se referiu a tais revistas como aquelas que "99,8 % dos meninos normais compram".

 Absurdo total! Por dois motivos: primeiro, homossexualidade é uma orientação sexual como qualquer outra, não há nada de anormal em ser gay; segundo, os gays não são 0,2 % como acha a querida professora, mas sim, pelo menos 20 %.

 

E não acabou. Como já disse, sexo era um dos assuntos predilectos dela. Não perdia oportunidade, então, para falar sobre sexo anal e oral. Falar mal. E jogava nos alunos todas as ideias mais medievais possíveis. "Eu preciso alertá-los", dizia. Sugeriu que sexo anal causaria hemorróidas (?!), incontinência fecal (?!!!), câncer... ou seja, quem desse o cu estava condenado à morte.

 

E o preconceito e as ideias erróneas, iam sendo perpetuadas dentro da sala de aula... Importante mencionar o modo como tais ideias eram ditas pela referida profissional. Falava com uma convicção, com um jeito de bem entendida no assunto, com uma eloquência, que dava a tudo um teor de verdade incontestável. E seu discurso fascizante era convincente. Na sua luta para catequizar os alunos, ela não esquecia nem de legitimar seu discurso.

 

 Prática caracterizadamente fascista: legitimar uma mentira. Para tanto, dizia outra de suas pérolas: "Não, eu não sou preconceituosa. Quero mais que as pessoas sejam felizes". Hahahahaha! E se isentava de qualquer culpa... Tudo o que dizia, assim, não era preconceito, mas verdades... Só não mencionavam que eram verdades válidas somente na Idade Média. E felizmente estamos no século XXI. Quando ela falava aquelas coisas, não estava sendo preconceituosa? E pode algum gay ser feliz, sofrendo com a discriminação da sociedade, que ela mesma contribui para aumentar, educando aqueles adolescentes para a homofobia?

 

E essa é apenas uma de tantas professoras e professores que se portam de maneira errónea.

 O correcto seria a escola educar desde cedo para a diversidade. Para tanto, é necessária uma reformulação total do sistema de ensino, em todos os níveis. Para começar, no ensino superior. A maioria dos professores está despreparada para tratar do assunto sexualidade. Então, as licenciaturas devem abordar o tema profundamente e orientar o comportamento dos professores diante da questão em sala de aula. Assim, se formariam professores que perpetuariam uma ideologia mais tolerante em relação à homossexualidade. Seus alunos, futuros professores, estariam mais preparados para lidar com o assunto na faculdade e, consequentemente, na posterior prática profissional. Gradativamente, o nosso sistema de ensino iria mudando e a mente de nossas crianças e adolescentes também. Esse é um passo importante que falta. Pois não só a homofobia se aprende na escola, mas o respeito pelo diferente também”.

          

 

     Meus amigos certamente já encontraram entre os vossos professores tipo e tipas deste género e a pergunta fica: Como calar estes paspalhões com almas perversas e que não conseguem pensar antes de soltarem tais asneiras? Onde está a disciplina de orientação sexual que a ministra prometeu? Onde estão os professores qualificados para dar tais aulas?

     Se souberem ou quiserem comentar SEM MEDOS façam-no aqui.

 


O Caçador

sinto-me: Um professor moderno
a música que estou a ouvir: A Cartilha de João de Deus
publicado por nelson camacho às 03:44
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

Recordações do verão passado

UMA NOITE NO CINEMA

 

Estamos num dia de Agosto mas contrariamente ao que tem acontecido nos anos anteriores o pleno verão, parece que não quer chegar, o sol, tirando um ou outro dia de verão à séria os restantes são uma seca, o sol normalmente está encoberto e até mesmo à beira mar está normalmente vento.

Mesmo assim, como gosto muito de praia, naquele dia fui até à Ericeira, vila piscatória simpática que até tem uma praia chamada “Praia dos pescadores” que gosto muito, - até tenho lá alguns amigos - pois faz uma baia, não tem ondulação significativa e é relativamente pequena.

 

Por curiosidades, foi nesta praia na altura porto de embarque da vila, hoje praia dos pescadores que a 5 de Outubro de 1910 derivado ao genocídio em Lisboa que por efeito do mesmo, aconteceu a implantação da Republica, sendo neste porto que a Família Real, tendo à sua espera o iate “Amélia”, rumou para Gibratar.

 

Normalmente quando vou para aquelas bandas, além da roupa de banho, levo também umas calças e uma t’shirt para vestir à noite, pois faz sempre fresco mas naquele dia não sei porque, esqueci-me e só levei o calção de banho a toalha, uns calções normais, uma blusa de alças e como calçado, umas sandálias daquelas de meter o dedo. Quando verifiquei que não tinha levado outra roupa, também não me importei muito, era a forma de não ir curtir a noite em qualquer bar, dava quanto muito para curtir um esplanada ou ir ao cinema. - Como já tinha tido uma má experiência, fui mesmo assim -.

O dia na praia foi um espectáculo. Nem sol abrasador nem muita gente. O dia um pouco enevoado tinha afastado muita gente da praia, tirando um ou outro casal que se enrolavam nas toalhas, mais ninguém. Nem surfistas ou jogadores de bola na praia, mas gostei do dia.

Já eram seis da tarde quando sai, tirei os calções de banho que já estavam secos, vesti os outros de sair, mais a camisola de alças e lá fui até à vila dar uma volta.

Não tinha lanchado e para jantar também era cedo, fui até uma cervejaria, comi um prato de caracóis, bebi umas “bujecas”, finalizando com uma cassata de gelado. Para mim, já estava jantado, entretanto já eram nove horas da noite.

No largo chamado Campo da Bola, existe um Centro Comercial que tem cinema, olhei para os cartazes e nessa noite ia dar um filme que nem reparei no nome mas pelos bonecos, vi que era um daqueles de porrada. Pelo menos para passar o tempo.

Quando fui para comparar o bilhete a menina da caixa disse que espera-se pois só haveria sessão se houvesse pelo menos seis espectadores. Em vês de esperar ali à porta fui tomar um café que também existe dentro do dito Centro.

 

 

 

Estava metido com os meus botões e saboreando o café quando reparo que alguém, um rapaz ai para os seus vinte anos, me mirava de alto a baixo. (não achei estranho pois na figura com que estava vestido não liguei)

De repente a menina da caixa vem junto a mim a dizer-me que comigo já faziam os seis espectadores e podia ir comprar o bilhete. Assim fiz, e depois de entrar na sala, de facto, só lá estavam três casais muito agarradinha e nas cadeira do meio da sala para a frente. Como a sala é pequena sentei-me a meio quase nas últimas filas, podia estar mais à vontade, via o filme e não chateava ninguém, pois eu acho que quem está, está, quem vai, vai.

Passado algum tempo, senti que alguém se tinha sentado na cadeira mesmo atrás de mim, segundos depois, senti os joelhos de quem quer que fosse tocar com os joelhos nas costas da minha cadeira. Não liguei, pois julguei que se estava a ajeitar na cadeira.

 Minutos depois, sinto novamente um toque na costas… ai não gostei e virei-me para trás a fim de dar uma bronca! Quando deparo com o rapaz que me tinha estado a mirar no café, e me cumprimenta com um aceno de cabeça, ao mesmo tempo que faz um trejeito aos lábios como que manda um beijo… fiquei atónito e sem entender nada!!!

De repente ele levanta-se e vem se sentar ao meu lado. (Naquele momento, podia ter dado uma bronca, mas fiquei à espera dos acontecimentos).

 Para me roubar não podia ser, pois só estava de calções e camisola, para me dar porrada também não podia ser, pois não o conhecia de lado algum, e mesmo quando trocámos olhares no café, não correspondi de forma alguma, até porque também não era o meu género.

Passaram-se vários minutos e sem gesticular qualquer palavra nem tão pouco olhar para mim, começou a encostar a encostar a sua perna à minha, fazendo cada vez mais pressão… eu nem me mexi, não queria era arranjar bronca no meio do filme, embora não houvesse ninguém à nossa volta. Depois de várias pressões, senti sua mão pousar sobre a minha perna… eu fui deixando…

Nessa altura verifiquei que ali ias acontecer algo de estranho.

Lentamente ele começou a acariciar minha perna, foi até à coxa na parte interna, voltou a subir e foi acariciando o meu pénis que já se encontrava rijo, pulsando e babando ao ponto de já ter os calções molhados. Aos poucos, meteu a mão nos meus calções, agarrou no meu pau, com a outra mão, baixou-me os calções e delicadamente, puxou os tintins e tudo cá para fora… - eu estava quase a morrer de vergonha e com medo que alguém desse por aquilo que se estava a passar, mas a tesão já era tão grande que eu disse cá para comigo: Olha… seja o que Deus quiser! Eu quero é vir-me -.

Aquela mão quente e movimentando-se para cima e para baixo ao mesmo tempo que com o dedo grande ia acariciando o buraco da uretra, estava a deixar-me maluco de prazer, contorcendo-me de palpitações. Meu corpo foi-se levantando da cadeira mas só aquela parte dos genitais, como à procura de um buraco para meter a minha picha que naquela altura já estava numa pichona. É nesse momento que ele baixou a cabeça mete meu pénis na sua boca e começa a chupar. Comecei a contorcer-me ainda com mais de prazer, ao mesmo tempo que me segurava à cadeira para não gemer alto. A situação era de tal forma caricata que já não sabia o que havia de fazer, se aquela tesão toda era normal ou porque estava com o medo de ser descoberto, sabendo que se me viesse gritava. Tentei tirar a cabeça dele mas não deixou, pelo contrário, abocanhou ainda mais e não tive outra alternativa que morder os lábios para não gemer d’alto e deixei meu esperma sair em golfadas de prazer enchendo aquela boca gostosa.

Fiquei tão fora de mim, que não sei se ele engoliu ou deitou para o chão todo aquele esperma, só senti que continuou a chupar até o meu cacete ficar seco e começar a ficar mole.

Ele puxou-me os calções para cima tapando aquele cacete que lhe tinha dado tanto prazer e já se encontrava em repouso.

Ficámos por ali a ver o resto do filme sem dizer palavra, estiracei-me cadeira a baixo e assim fiquei até o intervalo.

 

Ai veio ele! O intervalo. Ainda mesmo das luzes se acenderem, ele levantou-se e saiu do lugar.

Eu estava como quem não acredita do que me tinha acontecido, olhei para todo o lado e lá estavam os casais mais à frente agarradinhos e mais ninguém na sala.

 

A meio do intervalo, levantei-me e fui até aos lavabos com a intenção de dar uma lavadela no meu aparelho, pois até os tintins estavam húmidos.

Quando entrei nos lavabos, já a campainha de inicio de sessão estava a tocar e também ao fundo, fumando um cigarro se encontrava o dito cujo desta história.

Como não estava mais ninguém e de vergonha pouco tenho, tirei minha pilinha de fora e lavei-a no lavatório.

O rapazote (vou chama-lo assim), aproximou-se de mim, colocou-se atrás, abraçou-me indo com suas mãos agarrar meu pau ao mesmo tempo que senti o seu rijo e grande, encostado ao meu cu. Virei-me de repente e disse: - Espera aí… não sou gay! T’á bem?

 Ele calmamente, sem dizer palavra afastou minha camisola e começo a mamar os bicos dos meus seios que por sinal até são grandes.

 

Começou outra sessão não de cinema mas de lambidela e chupadela. Como já tinha gozado há pouco, estava mais tranquilo e pude curtir mais as sensações de ter uma boca quente e húmida percorrendo meu sexo.

A sua língua desceu dos mamilos até à minha barriga dando algumas murdiscadelas. Agachando-se, a pouco e pouco foi começando com a ponta da língua a querer penetrar na minha uretra, ao mesmo tempo que com as mãos ia acariciando meus tintins.

Eu tremia todo de tanto tesão. Agarrei-lhe na cabeça e fui movimentando-a de encontro o meu corpo. Quando senti algo na ponta do meu pénis (deviam ser as carótidas), guinchei dizendo: - Estou a vir-me! Chupa mais! Ele chupou tudo com gula, ao mesmo tempo que batia uma punheta a si próprio. Viemo-nos ao mesmo tempo e guinchámos os dois de um prazer poucas vezes sentido. Meu pau saiu daquela boca linda e sensual, limpo como se o tivesse lavado. (Qual água qual carapuça, aquela lavagem foi muito melhor)

 Ele levantou-se, subiu as calças, olhou para mim com ar de riso disse:

- Sempre valeu melhor que o filme…

E saiu porta fora.

Quando voltei para o meu lugar a fim de tentar ver o resto do filme, ele não estava lá, percorri com o olhar toda a sala e nada.

Minutos depois o filme acabou. Não cheguei a saber se a história era de amor ou não, o que eu sei, é que naquela noite tinha havido amor naquela sala.   

O Rapazote! Esse! Nunca mais o vi.

 

O Caçador

sinto-me: à espera do Inverno
a música que estou a ouvir: Noites de verão
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Maricón no aeroporto

Cor de maricón ?

  

Como é hábito, quando vamos de viagem e essa é feita de avião, temos de chegar uma ou duas horas antes da partida, no entanto, naquele dia e porque tinha passado uma boa noite de despedida para a minha viagem a Paris, fui um pouco mais cedo

 

Aproveitei para ver umas montras e os passantes, podia, talvez, engatar alguém para a viagem já que para Paris viajam aqueles que por cá não podem dar nas vistas.

Ia olhando, olhando e de repente apercebi-me que dois espanhóis discutiam frente a uma montra de pronto-a-vestir de marca.

O mais jovem e educado, não teria mais de dezanove anos, tipo galego de cabelo claro e comprido e vestia um casacão vermelho até aos tornozelos.

O outro, beirando os seus vinte cinco anos, tipo cigano, cabelo escuro e escorrido, trazia camisa social cor de mostarda e uma gravata com um nó não apertado, estilo ‘cafetão’. Este, exaltado, reclamava porque o outro havia dito, não sei exactamente o quê, pois só me apercebi: - mas querido és cor de maricón!

Este simples comentário feriu profundamente o brio do ‘cafetão’ machista, provavelmente por ter gostado de alguma coisa que viu na vitrina do aeroporto (uma camisa, uma t’shirt ou um casaco de cor mais viva que o seu colega identificou como sendo de cor de bicha.

 

Se prestarmos atenção, de facto, na natureza, as cores são neutras, assexuadas ou bissexuais. Tanto o papagaio macho, quanto a fêmea, tem as mesmas cores: verde, amarelo, vermelho e algumas penas azuis. A cor rosa é idêntica nos flamingos dos dois sexos, e para dizer a verdade, quando há diferenciação de cores entre o sexos, via de regra os machos ostentam cores mais vivas, vibrantes e fetiches do que as fêmeas. O Pavão, a ave-do-paraíso, o canário belga e mesmo o galo, são exemplos de que a natureza carregou mais nas cores masculinas. Assim, a cor dos machos está mais próxima da cor de maricón. (Maricas cá no nosso português).

 

  Entra os humanos, ou melhor, em algumas culturas, talvez na maioria delas, observa-se o contrário do que sucede entre os animais inferiores: as mulheres são mais coloridas do que os homens. Pintam o rosto, os lábios, as unhas das mãos e dos pés: nalgumas sociedades fazem tatuagens no rosto e mãos, usam roupas coloridas, cabelos pintados jóias com metais e pedras brilhantes. Aos homens da nossa cultura tradicionalmente reservam-se as cores escuras: preto, cinza, maroon, sem pintura no rosto e como adorno um relógio de pulso e por vezes uma cruz ao peito.

Nem sempre, porem, foi assim, e nem todos os povos limitaram tanto o acesso dos varões ás cores vivas, maquilhagem, enfeites e jóias. Antigamente entre os nobres da Europa, Ásia e África, mesmo entre os índios das três Américas, as roupas dos homens eram multicoloridas, abundavam os brincos, perucas, leques, muita renda, plumas e brilhos.

Portanto, cor de homem, de mulher ou de gay, não é determinada pela natureza das cores, mas por convenções culturais que variam de sociedade para sociedade e ao longo dos tempos dentro da nossa cultura. O preto, que era sinal de luto no tempo dos nossos pais, hoje virou dark e chic. Segundo os sexólogos dos anos 30, só os frescos usavam cor verde no Brasil cabendo-nos. Portanto, o destaque de percursores do movimento ecologista tupinniquim…

 A cor púrpura também é usada em certos ambientes como símbolo Gay, por representar a síntese do azul-masculino com o vermelho-feminino.

 

 

Qual seria, então, a cor de maricón que tanto irritou o tal cara de cafetão espanhol?

Nas últimas décadas, duas cores passaram a identificar internacionalmente o universo homossexual. Primeiro, o rosa, mais precisamente o triângulo rosa, que foi o distintivo utilizado pelos nazistas para identificar os homossexuais nos campos de concentração. Hoje, nas principais cidades ocidentais, basta colocar um triângulo rosa na porta de um estabelecimento comercial ou na lapela, para que as pessoas se identifiquem como homossexuais, actualmente para os mais discretos chamados de Gays (na tradução do Inglês; alegre; de bom humor, vistoso).

 

 

Nos últimos 30 anos, contudo, o arco-íris tornou-se o principal símbolo de gays e lésbicas, suas seis cores representam à diversidade e pluralidade cultural, sexual, étnica, que todos aspiramos na construção do novo mundo.

Actualmente, apões a revolução sexual dos anos 60 e a expansão da moda unissex, as cores perderam muito a sua rigidez sexista, não sendo raro encontrar “homens de verdade” usando camisas com cores vivas: vermelho, amarelo, mesmo o rosa e púrpura às vezes estampados com flores e outros motivos inimagináveis por nossos pais e avós.

 

A reacção nervosa do tal espanhol metido a macho contra a cor de maricón reflecte a insegurança daqueles que ainda estão presos a valores e estereótipos sexistas, que sentem a sua virilidade ameaçada por usar algum objecto mais colorido que poderia estar associado à estética gay.

 

Freud explica tamanha limitação, que afastar do universo masculino as multicores do arco-íris, a delicadeza, sensibilidade e o jogo de cintura tão característico da cultura gay internacional.

 

A Comunidade Gay continua à espera de um Milagre para que com estas lições de versatilidade possam ensinar os machões trogloditas.

 

O Caçador

sinto-me: Um esclarecedor
a música que estou a ouvir: Mister Gay
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Ela tinha um filho II

Ela tinha um filho II

O Filho

 

Continuação da história anterior

“ Ela tinha um filho I “

 

Seriam para aí umas dez da manhã, levantei-me, e fui fazer o pequeno-almoço. – Não sou lá muito bom em mexer na casa dos outros, mas como tinha fome e embora a minha primeira ideia, fosse pirar-me dali, lá me desenrasquei, e tomei mesmo o pequeno-almoço.

Depois fui até à sala olhei para todo o lado, senti-me confortável e em vez de me pirar procurei um CD de determinada música que eu não tinha e que gostava. - Podia ser que ela tivesse. Procurei e não encontrei, então dirigi-me ao quarto do Jorge (era assim que se chamava o puto).

 

Bati à porta e lá de dentro, ele respondeu prontamente:

- Entra a porta está aberta.

De facto a porta só estava encostada, entrei, disse-lhe que a mãe já tinha saído para a loja, que tratasse com ele o almoço, e ao mesmo tempo perguntava-lhe se tinha o tal determinado CD, pois eu ficaria por ali até ela voltar.

Jorge estava na cama somente meio tapado com um edredão daqueles de penas muito leves que quando nos deitamos nus o seu roçar pelo nosso corpo nos dá uma pica do camandro, (pelo menos a mim dá-me) estava meio dobrado e lendo uma revista, (que mais tarde vi ser pornográfica).

Olhou para mim e sem aquelas, disse:

- Minha mãe só vem lá para as seis da tarde, o que achas se nos aquecermos um pouco os dois? Tira o roupão para ver se ela tem bom gosto.

 

Aquilo era demais para mim, de repente meu pau aumentou de volume, deixei cair o roupão na alcatifa, aproximei-me da cama, afastei toda a roupa, pus-me em cima dele e beijando-o, fui subindo e meti meu pénis rijo na sua boca.

Jorge começou por passar sua língua pela cabeça já molhada e que se movimentava naquela boca quente. Ele acariciou-me os testículos e fui aumentando o ritmo até sentir o orgasmo eminente. Nesse instante tirei meu pénis daquela boca quente.

- Não tires agora! – Pediu Jorge agarrando meu corpo e voltando a meter meu pénis na sua boca.

- Tenho de parar estou quase a vir-me. Disse eu.

-Vem-te na minha boca – disse-me, sem parar de acariciar meus testículos.

- Parece que não estamos a fazer a coisa certa! – Disse eu meio constrangido mas ao mesmo tempo gozando à brava aquelas cenas de comer a mãe e comer o filho.

- Quero-te meu amor, quero que te venhas na minha boca -  mais tarde faremos outras coisas, vais ver que te dou mais gozo que minha mãe.

Eu sentia o calor delicioso dos lábios que percorria o pénis fazendo-o vibrar. Ficou cada vez mais rijo, agarrei-lhe a cabeça puxando-a cada vez mais a fim da minha picha penetrar ainda mais fundo. Jorge chupava-o com força e a cabeça do meu pénis ia ficando cada vez maior. Começou a tirar e a meter a tirar a meter, acabando por entrar num tempo rítmico. A rapidez de movimento transformou-se em violência e depois em loucura, até que finalmente me vim com espasmos e contorcendo todo o meu corpo de prazer e loucura. Jorge não perdeu uma única gota de esperma até meu pénis ficar seco. Quando lho retirei da boca, todo eu estremecia e mais uma vez fiquei exausto.

Jorge virou-se para mim e disse:

- Não penses que isto vai ficar assim, vou fazer de ti o meu amante predilecto e quando voltares a entrar nesta casa, as noites podem ser com minha mãe mas os dias serão sempre meus. Dar-te-ei tanto prazer que acabarás por me quereres só a mim.

Aquela situação era de mais para mim, eu devia estar louco como os anjos, pois já não tinha idade para aquilo.

Jorge puxou o edredão e tapou-nos, depois de se colocar de costas para mim.

Uma hora, talvez tenha sido muito o tempo que passei pelas brasas.

Acordei ainda naquela posição e com o Jorge a agarrar no meu pénis, movimentando-o ao mesmo tempo que ia movimentando a cu ao mesmo tempo que pedia que o penetrasse. O meu cérebro começou a dar faíscas e ao mesmo tempo que o ia abraçando e dando-lhe uns beijos nas costas, verificava que sua pele tinha um cheiro especial fresca, doce e muito mais apetecível que da mãe.

Meu pau começou a levantar-se e ficando hirto e firme como os soldados de honra que estão à porta do palácio da rainha de Inglaterra. Os meus neurónios não paravam até que o Jorge não parava de me masturbar, e tentando meter meu pau daquele cuzinho que comparando, também seria muito mais apertadinho que o da sua progenitora. E era mesmo! Já não podia mais de tanto gozo, uma das minhas mãos foi até do dele que também estava em ponto, e suavemente enquanto o ia masturbando ia-o penetrando com a minha caça linda. Jorge movimentou-se mais um pouco e entre um ou outro ai, indo dizendo para meter de vagar pois era a primeira vez. Eu com a minha treta toda, fui dizendo que metendo a cabeça, o resto era só empurrar. Assim foi, penetrei-o de vagar até sentir as suas bebas nos meus tintins. Entrando naquele jogo do mete e tira ao mesmo tempo que o masturbava meu esperma lá foi saindo convulsivamente enquanto ia sentindo o seu na minha mão. Gememos, demos alguns gritinhos de prazer. Só tirei meu pau de dentro daquele amor que me tira aparecido de mão beijada quando começou a murchar. Virámo-nos, beijámo-nos como dois loucos e ali ficámos adormecendo um pouco.


  

 Chegou a hora do almoço, acordámos, beijámo-nos novamente como dois amantes inebriantes, conversámos um pouco sobre a situação, que não vem ao caso e resolvemos ir almoçar fora.

 

 

 

Ele tinha razão, não voltei a ver a mãe mas durante um tempo, fui lá a casa às escondidas só para fazermos amor.

 De facto, troquei a mãe pelo filho. ☺

 

 O Caçador

                                   

sinto-me: Feliz mais uma vez
a música que estou a ouvir: Sonho de amor
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

As Professoras

As Professoras

 

 

Vocês já conhecem o João (o meu colega de quarto) na Universidade onde andei nos meus tempos de estudante. Éramos dois com pinchas que às vezes até brincávamos com os nossos sexos, no entanto, também gostávamos de raparigas.

Um dia fomos assistir a um jogo do nosso Benfica contra o Sporting, e porque ganhámos, depois do jogo com uma trupe de amigos dar uma volta pelos bares da cidade. A determinada altura e porque não gostamos muito de ajuntamento, despedimo-nos do resto da malta e fomos até um Centro Comercial que existe em Benfica, para ver as vistas e tomar um café afim de resolvermos o problema do álcool que tínhamos ingerido até então. Estávamos muito sossegados a tomar a nossa bebida quando de repente reparámos que noutra mesa estava uma das nossas professoras, uma belíssima mulher ai para os seus trinta anos chamada Amália. Ela viu-nos, cumprimentou-nos e eu levantei-me para a ir retorquir o cumprimento, quando reparei numa outra muito parecida, que era sua irmã gémea que se chamava de Helena. Fizemos as saudações habituais e fiquei ali especado olhando aquelas duas mulheres lindas de cabelos longos, seios transbordando pelos decotes de uns vestidos simples mas muito justos àqueles corpos que adivinhavam corpos esbeltos e fervorosos. Amália perante a minha pasmaceira perguntou porque não me sentava e chamava o meu amigo. Assim fiz e o João veio para junto de nós. Não sei se foi por ser fim de tarde ou por ter havido aquele jogo no Benfica que o café onde estávamos, estava a abarrotar de gente fazendo um barulho que mais parecia uma capoeira de galos e galinhas, não se percebendo nada do que diziam pois só se percebia um “carquejar” nos nossos ouvidos, e Amália sugeriu que fossemos para o seu apartamento que era ali perto. A princípio fiquei um pouco embaraçado, pensando que ele estava a brincar (eu sabia que ela era casada), mas depois de olhar para o João, ele piscou-me o olho e nos resolvemos aceitar o convite.

Quando chegámos ao luxuoso apartamento, Amália e Helena deixaram-nos sentados num grande sofá e com uns copos de Whisky, e desapareceram por uma porta ao fundo da sala.

João virou-se para mim e disse:

- Vamos ter gozo com estas gajas!

Rime e disse-lhe:

- Acho que sim! Já tenho saudades de lamber uma vagina. Há muito que te ando a comer o cu.

- E sou só eu que levo, não? Retorqui de imediato o João. Parece-me que elas foram refrescar-se.

 

Estávamos nós nesta troca de piropos quando elas voltaram vestidas de calcinhas vermelhas onde se podia ler “Vamos ao sexo?” na parte de traz. Eu nem podia acreditar! Ao fim e ao cabo, a Amália era minha professora e ainda por cima casada… Helena dirigiu-se à aparelhagem e colocou um CD de Eros Ramazzoti, começando-se a ouvir-se o tema “Cosa della Vida”, e confessou: - Não posso fazer sexo sem ouvir este tema – São coisas da vida. Eu e o João já estávamos a ponto de molhar as calças.

Amália por sua vez, foi ligar o vídeo e pôs um filme pornográfico. Eu e João estávamos sentados no sofá vendo Helena dançando em toplesse cantando ao som da música, enquanto Amália punha mais Whisky nos nossos copos. Entretanto o vídeo ia mostrando excelentes cenas de sexo, embora não fosse lá muito do nosso agrado pois era um filme de lésbicas. Por essa altura já nossos duros e bons paus estavam tentando rebentar nossas calças com tanto tesão que nos estava a dar tais cenas. João levantou-se para ir dançar com a Helena, e Amália veio sentar-se ao meu lado, dizendo que queria despir-me com a boca. Eu comecei por lhe acariciar as faces assim como quem faz festinhas ao gato, começando por lhe puxar levemente a cabeça para junto do meu pénis. Parou a meio de meu peito e começando pela parte de cima, ela pôs-se a desapertar-me os botões da camisa, escondendo as mãos atrás das costas. Quando desapertou o último botão, chupou-me os mamilos durante algum tempo, lambendo-me depois todo o meu peito e a barriga. Eu já estava quase a ejacular nas calças! Mas Amália apercebendo-se, pela minha movimentação corporal, desapertou-me o “zip” com os dentes e o meu pénis logo saltou cá para fora todo prazenteiro com toda a força, solto e liberto daquele aperto nas calças. Ela começou a chupá-lo longamente e eu fiquei em êxtase. Sentindo aquela boca maravilhosa no meu coiso que ia sendo chupado cada vez com mais força e sentindo seus lábios apertando minha glande e a cabeçorra sentindo o fundo da sua garganta foi o suficiente para me vir e encher aquela boca gostosa do meu esperma que transbordou para fora daquele recinto quente e maravilhoso.

Seguidamente a minha professora e a irmã começaram a brincar uma com a outra ao mesmo tempo que viam o filme e se iam masturbando. Era a coisa mais bela de se ver!

Olhando para o João, vi que o seu pénis estava tão duro como o meu, enquanto olhávamos para as duas a masturbarem-se e perguntei-lhe: - E nós? João aproximou-se de mim e nos começámos a beijar ao mesmo tempo que nos íamos também masturbando.

Então as duas mulheres aproximaram-se de nós. Helena sentou-se na minha cara, e Amália pousou a vagina mesmo na ponta do meu pénis. Helena virou-se e pediu ao João para a fornicar também. Que sensação! Por várias vezes, todos atingimos o orgasmo e ficámos todos lambuzados de nosso esperma que parecia nunca mais acabar, estávamos a ficar secos. Por fim, todos num monte adormecemos no chão.

Quando acordámos, as irmãs fizeram o pequeno-almoço e nos sentámos à mesa comendo e falando de banalidades, por fim beijámo-nos todos, eu e o João fomos para a nossa vida. ☺

 

 

 

     O Caçador

sinto-me: Com saudade
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Sexo bom

Noites a quatro

 

Em várias história que vos tenho contado já tive a oportunidade de dizer que nos meus tempos de estudante, cheguei a andar num universidade só de rapazes e que os quartos eram duplos o que ocasionava muitas vezes acabarmos por criar uma certa amizade com o companheiro e por termos as nossas experiências sexuais.

Quanto a mim e o meu companheiro de quarto pelo simples facto de termos essas experiências, não éramos gays, mas sim, bissexuais, pois até tínhamos as nossas namoradas.

 

O nosso quarto tinha um janelão grande por onde entrava o Sol penetrando até às camas, que em dias de muita intensidade chegava a queimar as cobertas e até dava para nos bronzear.

Naquele dia estava mesmo um caldo e nós estávamos aproveitando aqueles raios de Sol e em cuecas lá íamos estudando para um ponto de matemáticas que iríamos ter proximamente.

De repente, deparámos com dois problemas.

O primeiro, estávamos a ficar com uma tesão danada de tal forma que os “bichos” já estavam à janela das nossas cuecas e o outro era um problema de matemática que não havíamos meio de resolver.

 O primeiro, podíamos resolver logo ali naquele momento, mas não podíamos nem queríamos porque fazer sexo não um acto animalesco (não é como muito boa gente faz, vai às putas só para despejar os tintins e já está). Nós, embora fossemos dois rapazes, sabíamos o que era fazer sexo com amor e carinho, utilizando os antes e os depois. Quando fazíamos amor, normalmente, nunca levava-mos menos de duas horas, ficava-mos estoirados, e acabávamos sempre por adormecer. Este problema ficava assim por resolver.

 Ficava por tratar do segundo problema, pois tínhamos uma prova escrita no dia seguinte e nunca mais resolvíamos o maldito cálculo de matemática.

A certa altura o João lembrou-se que tinha uma amiga, a Manela, que era uma barra em matemática e resolvemos ir-lhe pedir ajuda. Vestimos uns calções e umas T-Shirts e lá fomos bater á porta da dita.

 

Quem veio abrir a porta foi a companheira de quarto a Fernanda, negligentemente vestida, ou seja de cuequinha e soutien. Lá do fundo do quarto ouvimos a Manela perguntar quem era, de imediato, pedimos desculpa de lá ir aquela hora e explicamos o motivo da nossa visita. Manela mandou-nos entrar, sentámo-nos todos à volta de uma mesinha e começamos a receber as explicações solicitadas. Enquanto me debruçava sobre o ombro da Manela para melhor aceitar as explicações, não pude deixar de notar os seus seios, que eram firmes, cheios de uma cor de leite, apenas parcialmente escondidos pela camisa de dormir. Olhei de soslaio para o João e dei-lhe uma piscadela de olho ao mesmo tempo olhámos para os nossos sexos que já estavam a ficar crescidos notando-se os seus volumes através dos calções.

Assim que a Manela resolveu o problema, e, pousando o olhar no volume do meu sexo, perguntou se tínhamos mais algum “duro” problema para resolver… Antes que eu pudesse responder uma simples palavra, Manela debruçou-se sobre mim e começou a baixar-me os calções; e, quando dei por mim, já ela tinha a minha picha, inteirinha na boca enquanto Fernanda fazia o mesmo ao João.

As minhas mãos começaram a explorar as grandes e trepidantes seios da Manela, cujos mamilos imediatamente erectos, enquanto eu lhe despia a camisa. O meu colega e a Fernanda estavam no chão, fornicando como doidos; e nós fomos também para o chão, tomámos logo a posição de sessenta e nove. Manela esparramou-se sobre a minha cara, colocando a sua quente vagina na minha boca. Meu pau entretanto, ia ficando cada vês mais duro e quente.

Eu metia a língua profundamente naqueles lábios vaginais tão doces e jovens, gozando cada lambedela. Manela fez então escorregar o meu pénis até às amígdalas, começando a lamber e chupar ao mesmo tempo como doida. Ao mesmo tempo eu tinha o seu clítoris na ponta da minha língua dando algumas mordiscadelas começando a encaminha-la para o orgasmo. Sentindo, porém, que o orgasmo estava também prestes a atingir-me, dei a volta montei-a penetrando-a profundamente na vagina. Ela suspirou e começou a mover-se ao meu ritmo frenético, acabando por gritar muito alto nas loucuras do orgasmo.

Neste momento dei uma olhadela para o João que acabava de chegar ao clímax com a Fernanda. Olhámo-nos bem nos olhos e dissemos: - Vamos trocar? Fernanda deitou-se de barriga e depois pôs-se de joelhos, deixando que eu a penetrasse por trás. Fernanda era mais apertada que a Manela e tinha também largos seios, Ela sacudia o traseiro tão bem como se fosse uma profissional, antes que eu desse por isso estava pronto a ejacular de novo. A sensação era fantástica, e então ejaculei de tal maneira, que até pensei que ia ficar seco.

O meu companheiro de quarto também já estava gritando de prazer com o seu instrumento, totalmente metido na vagina da Manela que ainda tinha o meu esperma.

Estoirados, fomos para a cama, ficando a Fernanda numa ponta, a Manela ao lado dela, depois o João e eu na outra ponta. De repente, o João começou-me a tocar fazendo sinal para olhar para elas. Estavam-se acariciando e beijando-se ao mesmo tempo que se masturbavam. Perante aquelas putas que também eram lésbicas, perdemos a vergonha e beijámo-nos. Não tínhamos forças para foder mais e ficamos por ali adormecendo como crianças sem preocupações.

As preocupações vieram de manhã na prova de matemática, metemos água por todos os lados, mas tínhamos tido uma noite inesquecível.

Não quando estávamos com tesão porque nos bastávamos mutuamente, mas quando estávamos numa de machões lá íamos nós às nossas amigas a propósito de pedir uma explicação de matemática. Algumas vezes, em vez de ser dois a dois, éramos os quatro num só. Então sim, eram noites escaldantes. ☺

 

     O Caçador

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

O Último odor

Mais uma que estava na gaveta

     Já vão passando algumas semanas que não venho aqui postar qualquer coisa. Os afazeres são muitos e não tenho tido tempo para me acalmar e colocar os neurónios a trabalhar para os meus contos eróticos. Entretanto tenho recebido alguns mails a perguntarem quando volto a contar histórias destas, assim, é para vos satisfazer o apetite que vou voltar aqui fica, não um conto erótico mas um recado a alguém que já não vejo desde 1906 mas que na altura foi muito bom e para quem, quando acabou, escrevi algo que guardei.

     São os tais textos que tenho na gaveta.

     (Na altura, ainda o Sócrates não nos tinha proibido de fumar)

Aqui vai ela!....... 

                    ---------------------------------------------------------------------------

Quando às três da manhã chego a casa, ainda sinto o meu corpo transpirar os odores de tudo o que me rodeou durante o dia!

 

Sãos os cheiros das pessoas ao fim de um dia de trabalho se acamam tal sardinhas em lata, no comboio da linha de Sintra.

Embora também fume, o ar viciado que existe nos cafés dos outros fumadores agarraram-se ao meu corpo de tal maneira que nem o cheirinho aromático das bicas que fui bebendo durante o dia, fizeram suplantar tais odores.

É o suor que transbordou por todos aqueles corpos que rodopiaram durante a noite ao som daquela música em tons estridentes que me rebentam os tímpanos, numa discoteca onde passei algumas horas.

É o cheiro a tinta de impressão dos jornais que teimo em comprar todos os dias, embora depois de os ler tenha de lavar as mãos, pois não é só o cheiro a tinta mas também a sujidade que a mesma transporta para as minhas mão.

São os odores daqueles pauzinhos chineses que os mesmos nas suas lojas teimam em ter todo o dia acesos, mas que não deixo de frequentar à procura de uma prenda para um amigo ou outra coisa qualquer para continuar a alindar a minha casa.

Quando visito minha Mãe, são os odores de flores já murchas pelo tempo que muita gente ao visitar os seus mortos por ali deixam ficar mas depois não voltam lá para as tratar. Ou o cheiro muito característico a terra daquelas covas que se encontram abertas, já foram utilizadas, mas que estão prontas a receber outro ser que terminou o seu tempo nesta vida cheia de cheiros.

É o cheiro das pipocas que tive de gramar mesmo ao meu lado e foram mastigadas por um casal que não só se beijaram durante todo o filme como mastigaram aquele o rendo acepipe (para eles). Não só fiquei com aquele cheiro agarrado ao fato como não vi o filme em condições.

É o cheiro a cocó de cão que sem dar por isso pisei numa qualquer rua de Lisboa. É o cão de uma “senhora” toda vip que em vez de ter um cão devia ter uma vaca, como ela.

É o cheiro do cloro que se fixou em toda a pele, depois de ter dado uns mergulhos na piscina do clube de que sou sócio.

Como não bastava esse odor a cloro, ainda trago o cheiro de corpos que transpiraram na sauna onde passei duas horas. (Só troce o cheiro porque não havia ninguém de jeito).

Quando me vou deitar, mesmo depois de tomar um duche e feito um pouco de hidromassagem, ainda levo para a cama o cheiro do gel de banho da espuma de barbear, do perfume com que me besuntei, das velas acesas que até ao términos de sua vida ali ficam no meu quarto dando um ambiente sepulcral que tanto gosto.

No entanto, o que mais gosto é ainda do cheirinho que teima em não sair, de ti, quando fizemos amor pela última vez.

Aguardo o Milagre de te voltar a ver.

 

O Caçador

26-10-2006

 

sinto-me: Só e triste
a música que estou a ouvir: Estou sonhando com você
publicado por nelson camacho às 03:35
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Noite de Teatro

                          Noite de teatro

 

 

      Emanuel que nunca tem tempo para fazer algo alem do trabalho, como lhe deram um bilhete de ingresso, naquela noite, foi ao teatro.

 

 

O Emanuel é um rapaz de compleição apetitosa para qualquer mulher, tem 30 anos de idade, mede um metro e oitenta, cabelos castanhos com laivos alourados, mas naturais, os olhos penetrantes e sempre atentos a tudo o que o rodeia. Veste-se com muito bom gosto, não andando atrás da moda mas sabe conjugar uma gravata com uma camisa e um casaco com umas calças. Os sapatos, que é o sítio para onde uma mulher de bom gosto olha primeiro, estão sempre impecáveis e a condizer com o resto da farpela.

Quando num dia de calor despe o casaco e percorre os seus locais de trabalho por entre o mulherengo, estas só não assobiam por vergonha e respeito ao chefe mas muitas sonham que trocarem-no por aquele com que um dia as lavaram ao altar ou não, mas que têm que aturar todos os dias. Começam por olhar para os sapatos, e percorrem todo o corpo parando por vezes pelo rabo e pela cintura indo parar na compleição dos seus abdominais. Quanto ao resto, nada mais há para ver, pois nunca tira a gravata nem arregaça as mangas da camisa.

Emanuel, não tem tempo para nada, nem sequer para se aperceber de quanto é apetitoso para elas e até por acaso, para um deles que também existe num dos super mercados e que é expositor e como tal, tem que com ele conviver enquanto das sua visitas ao local onde este também trabalha. Por força do trabalho já almoçou com alguns colegas e por mais que se atirem, ele não dá por nada, (cá para mim, é mesmo parvo).

Já teve uma namorada, mas como é habito dizer-se, “ficou tudo em águas de bacalhau” não se sabe porquê.

Emanuel efectivamente não tem tempo para qualquer coisa a não ser para o trabalho. Não tem qualquer hobby, for a do trabalho, tem poucos amigos, a não ser em uns fins-de-semana que se encontra com um casal e um tio destes para jogarem às cartas e mesmo assim, são poucas as vezes que o apanham.

Quando se lhe pergunta em que se entretém fora das horas de trabalho é peremptório e diz: “O trabalho ocupa-me todo o tempo do mundo”.

 Efectivamente, ele percorre todo o Portugal de lés a lés, incluindo Açores e Madeira para visitar e inspeccionar os super mercados que fazem parte de um grupo implantado em Portugal e onde é um chefe muito conceituado.

Diz o povo e tem razão, “Um dia é dia de Santo António”.

O Emanuel num dos fins-de-semana de jogatina a conversa dirigiu-se para as artes, por força do conhecimento do Tio Nelson, o tal tio (emprestado) do casal onde se juntam para jogar às cartas. O rapaz, o tal tio, como ele costuma dizer já tem duzentos anos, não é bem assim, mas quase. Viveu durante muitos anos ligado às artes, tais como cinema, teatro e televisão e como é obvio as conversas deste, emanam para as agendas culturais que se fazem nesta terra, embora poucas, porque no pós 25 de Abril nenhum governo tem zelado pela cultura, mas ainda vão aparecendo uns génios, que a muito custo vão levando à cena algumas peças de teatro, principalmente teatro à portuguesa, o chamado Teatro de revista. 

Entre uma jogada e outra, às duas por três, vieram à baila vários filmes que marcaram os tempos, tais como ’Cabaré’, ‘E tudo o vento levou’, ‘Doutor Jivago’, ‘My fair Lady’ e tantos outros. É nesta entreacto de conversa que o Tio Nelson fala sobre a peça encenada por Filipe Lá Féria ‘Música no Coração’(a) que também já tinha dado no cinema, mas que em teatro era digno de se ver pois não deixava nada a dever às montagens que se fazem em Nova Iorque ou em Londres e que toda a gente devia de ir ver.

“Pois sim!” Disse o Emanuel “Eu não tenho tempo para essas coisas”.

O Tio Nelson que não é rapaz para se ficar, desafiou-o, a ir ao Politeama, ver a tal peça pois ia arranjar-lhe um bilhete de ingresso, bastava fazer um telefonema para o bilhete ficar na bilheteira em seu nome e à sua espera.

  Aqui gerou-se uma aposta, uns diziam que ele não ia e outros diziam que ia. Desta vez, para não fazer desfeita á aquela oferta tão pronta do Tio Nelson, o Emanuel lá combinou a noite que iria disponibilizar e assim ficou combinado.

O Emanuel foi ao teatro, só não sabia que iria ver efectivamente um bom espectáculo e o que lhe iria acontecer depois deste terminar.

Contrariamente ao que é habitual o nosso Emanuel, aprontou-se de uma forma diferente no vestir. Calçou uns sapatos de pele de crocodilo, umas calças de ganga de marca, uma camisa nova de dois botões, como se usa agora, e sem gravata. Para completar a indumentária, vestiu um casacão de pele e lá foi ao Politeama.

As luzes da sala ainda não tinham descido e havia ainda pessoas a entrar, sentar-se, a despir os casacos, em fim a acomodarem-se para o espectáculo.

Emanuel também tirou o casaco, colocou-o sobre os joelhos e enquanto não se ouvia as pancadinhas de Molière (b), foi lendo o programa onde consta a história da peça assim como o nome de todos os actores intervenientes, autores e compositores.

  Ao mesmo tempo, ia olhando para quem o rodeava. À direita tinha um casal jovem que olhando mais em pormenor, pareciam noivos, pela forma como vestiam e como davam as mão muito entrelaçadas, saltando de ambas o brilho de alianças novas, (dava a entender serem um jovem casal de certa condição social, pela grossura das alianças assim como um anel de brilhantes que num dos dedos da mão esquerda ela ostentava). Do lado esquerdo, um jovem também ai para os seus trinta anos, como ele, magro aparentando ter a sua altura, cabelos encaracolados e nem comprido nem curto de rosto angular de olhos castanhos e uma tez morena. Vestia-se de um blazer castanho, camisa branca, sem gravata, tendo os quatro primeiros botões abertos, vislumbrando-se uma cruz em ouro que sobressaia sobre meia dúzia de pelos pouco perceptíveis, mas que se via no seu todo ser um tipo bem tratado.

As luzes foram-se baixando após um sinal acústico e lá se ouviram as pancadinhas de Molière, as cortinas de boca de cena abriram-se e o espectáculo começou.

Veio o intervalo e todo o público aplaudiu freneticamente, porque de facto o final do primeiro acto foi um espanto.

 O parceiro do lado esquerdo até se levantou para aplaudir ao mesmo tempo que dizia “isto sim! É um espectáculo” virando-se para o nosso Emanuel e dizendo: - Que acha deste encenador?

Coitado do Emanuel que não é dado a grandes conversas principalmente com quem não conhece lá ia dizendo com a cabeça que sim!

Neste intervalo que normalmente é curto, dirigiu-se ao bar e tomou um café e um brandy ao mesmo tempo que fumava um cigarro.

O tal parceiro de plateia, também ali estava a tomar o seu café, olhou para ele fixamente e disse: - Amigo, não tenho nada a ver com a sua vida, mas no meio de tanta gente, fumar um cigarro não só lhe faz mal a si, como aos outros, desculpe o meu atrevimento, mas como sou médico sinto-me na obrigação de alertar as pessoas para o mal que o tabaco faz!

O Emanuel apagou o cigarro e como é uma pessoa educada, pediu desculpa. Ao mesmo tempo pensou lá para com ele, “era só o que me faltava, logo numa das poucas vezes que saio, tenho um tipo à perna a dar-me aconselhamentos de saúde”. Tocou a campainha de reinício da sessão e lá se foi sentar para assistir ao resto do espectáculo.

Terminou o espectáculo com um final onde entra toda a companhia cantando a canção de fundo “Música no Coração”. Todos aplaudiram de pé e durante bastante tempo sendo toda a companhia obrigada a bisar a última canção.

Já na rua, o Emanuel, pois é dele que se trata, achou que estava um pouco de frio e ao mesmo tempo que sentia o cheiro a marisco que sai da cervejaria Sol Mar, mesmo ali em frente e como dias não são dias e não tinha pago o bilhete, foi até lá, podia gastar uns trocos. Sentou-se a uma mesa, pediu uma taça de vinho verde e meia dúzia de gambas.

O Sol Mar é uma cervejaria frequentada por muitos artistas empresários, encenadores e público em geral, onde relaxam depois de terminarem os espectáculos tanto do Politeama como do Coliseu dos Recreios que é mesmo ali ao lado na rua das portas de Santo Antão (rua emblemática da nossa capital, onde não passam carros, cheia de restaurantes e onde já esteve durante muitos anos a sede do Sporting Lisboa e Benfica, felizmente que ainda existe a Casa do Alentejo, instalada num edifício soberbo emblemático e cheio de tradições).

Entre uma taça de vinho e uma gamba, vai olhando para os outros fregueses frequentes daquela casa também emblemática para a cidade de Lisboa, quando se apercebe que na mesa mesmo ao lado, está nem mais nem menos que o encenador, alguns artistas da peça que acabava de ver assim como o tal doutor que tinha estado ao seu lado na plateia e o criticou pelo facto de estar a fumar no bar do teatro.

Emanuel rapaz pacato e nada conhecedor de gente o teatro, a não ser as histórias que tem ouvido o Tio Nelson contar nas tais noites de jogo em que se juntam para uma amena cavaqueira e destresar das semanas de trabalho, ficou em pulgas e com uma vontade tremenda de falar com aquela gente que ele julgava ser diferente dos outros. Tanto olhou, que o tal doutor fixou-se nele e o convidou para a mesa dizendo:

- Agora aqui, e há pouco no teatro?! Desculpe o meu atrevimento no intervalo da peça, mas eu sou mesmo assim.

- Não faz mal eu às vezes é que me distraio, com certas alturas.

- Não quer sentar-se à mesa, connosco? Parece estar só!

- Sabe, eu de artistas conheço pouco, mas seria meu prazer juntar-me a tão ilustres figuras do nosso teatro.

Emanuel não esperou mais por outra oportunidade. Pegou no prato das gambas, na garrafa de vinho e no copo e lá foi ele sentar-se junto às “vedetas”.

A conversa entre todos foi animada. Emanuel confessou que só tinha ido ao teatro duas vezes na vida e desta, foi porque tinha um amigo que lhe chamam Tio Nelson lhe tinha arranjado um bilhete.

- Não me diga que é fulano, (para aqui não vem ao caso o nome verdadeiro do Tio Nelson) disse o tal doutor.

- É verdade, é ele mesmo.

- Pois quando estiver com ele, dê-lhe um abraço, pois esse tipo desde que julga estar velho, não aparece e só me telefona de vez em quando, mas desta vez parece que foi por uma boa causa. (se mi serrando os olhos e dando um trejeito aos lábios, riu-se)

- Há.. Há.. Há…, pois, ele é mesmo assim! (disse o Emanuel)

- É pena porque quem não aparece esquece e ele não merece estar afastado da vida artística. Sabia que é um bom cantor?

- Sim! Sei que teve uma carreira interessante, mas na altura do 25 de Abril os cantores românticos foram chamados de nacional cançonetistas e foi posto de lado como tantos outros e também se casou, afastando-se da actividade artística e hoje vive de recordações escrevendo umas coisas relacionadas com a saudade que tem desse tempo e afastou-se.

- É mesmo por essa razão que não me caso! Quem casa, quer casa, eu já tenho a minha e não estou para reparti-la com uma pessoa qualquer. Quanto a essa época, felizmente que já passou só é pena que ele não volte assim como outros cantores da altura porque isto de cantigas está muito mal.

- Pois, eu também sou da mesma opinião, sou amante da boa música e passo a vida a comprar CDs dos chamados velhos tempos. Também sou solteiro e ainda não arranjei um novo compromisso. Em relação ao último, cheguei à conclusão que não há nada para sempre. Enquanto tiver os meus pais vivos não arranjo mais ninguém.

A conversa entre os dois estava de tal forma animada que os outros notaram que estavam a mais, além disso, estavam cansados, e resolveram pagar as despesas, despediram-se e lá foram às suas vidas.

A cavaqueira continuou até que um empregado chegou à beira deles e informou que a cervejaria ia fechar pois já eram duas e trinta da manhã.

Como pessoas de bem e educadas, gerou-se aquela pequena discussão do quem paga a conta:

- Não quem paga sou eu,

- Não, desculpe eu é que sou a apagar

- Mau! Eu sou o mais velho, portanto, quem paga seu eu. Dizia o Emanuel.

O empregado já um pouco farto daquela troca de galhardetes e porque o que ele queria era ir-se embora disse:

- Os senhores desculpem mas a conta já está paga, o Senhor empresário que estava com os actores quando se foi embora pagou a conta toda e como os senhores não beberam mais nada, podem ir-se embora à vontade.

Ambos ficaram admirados pela gentileza do pagante e porque de facto já ali estavam à bastante tempo sem consumir, em uníssono, cada um tirou uma nota de cinco euros da algibeira e deram ao empregado como gorjeta, pedindo ao mesmo tempo desculpa, por terem estado a ocupar uma mesa durante uma hora sem consumirem.

Para o empregado, rapaz esperto e habituado a clientes daqueles perante tal gentileza, ”abriu-se todo” em agradecimentos dizendo espera-los de novo desejando que a conversa entre ambos não tenha sido “uma conversa da treta”.

Efectivamente aquela conversa não tinha nada de “conversa da treta”, mas sim, o início de uma forte amizade.

Saíram e como a noite estava bastante agradável e a conversa ainda não tinha acabado, resolveram continua-la avenida da liberdade a cima.

O Jorge olhou para o relógio e disse:

 - Efectivamente está uma noite espectacular, você tem carro por aqui?

- Sim tenho, está mesmo aqui em frente aos Correios, foi o único sítio que encontrei quando cheguei.

- O meu está no parque dos restauradores. Como venho cedo para o teatro, deixo-o ali, pago mais qualquer coisa, mas estou descansado. A propósito, e se fossemos tomar um copo a qualquer lado?

- Sabe, eu não sou muito de sair à noite, principalmente em Lisboa, portanto não conheço assim um lugar onde possamos conversar a esta hora. Você é que é um homem da noite e dos teatros e pode saber de um bar agradável.

O Jorge, perante esta afirmação foi logo peremptório em emendar a opinião do novo amigo:

- Bem! Não é bem assim, eu só venho a este teatro mais vezes porque sou o médico do realizador e apoio todos os actores e trabalhadores da companhia, como temos vários assuntos a tratar, às vezes dá jeito falar-mos nestas horas. No entanto sim, conheço um bar bastante simpático à entrada do Bairro Alto que por acaso, praticamente só é frequentado por tipos de negócios, do teatro e cantores.

- Pois bem! Vamos lá! Levo o meu carro que está mais à mão, e depois vimos buscar o seu! Que acha?

- Está bem! Vamos então ao Harrys Bar.

Quando chegaram, o João, mais conhecido pelo Joãozinho, e que é o dono do bar, fez uma grande festa ao Jorge com beijinhos e tudo como é seu habito tratar os seus clientes. Foi buscar dois copos, um frapé com gelo, uma garrafa de Água Castelo e uma garrafa de Whisky que tinha pendurado no gargalo uma etiqueta com o nome do Jorge.

- Afinal, você é cliente assíduo aqui do bar, até tem uma garrafa em seu nome.

- É verdade. Disse o Jorge.

- Sabe? É aqui que trago os meus amigos da noite. Tem um ambiente agradável. A música é sempre muito baixa para podermos conversar. Só é pena a música ser sempre a mesma. Normalmente, são fado da Amália Rodrigues, os clientes já estão habituados. Esta casa é como um culto a Amália. Como pode ver existem quadros da Amália por todas as paredes e autografados ao Joãozinho que era muito seu amigo e visita de sua casa.

- Sim! De facto é um bar diferente dos que conheço. Deve ser porque a sua clientela está ligada às artes!

- Sabe? As artes, principalmente o teatro, as cantigas, a televisão e o cinema na sua maioria é composta por gente sem preconceitos em que tentam levar uma vida, o mais descomplexada possível. Também há pintores e escritores. Os que menos frequentam este tipo de bares são os toureiros, os futebolistas e os fadistas. Estes enganam as mulheres e os amigos por outros sítios mais recatados.

- Sim! Também me parece ser um sítio bastante recatado! Não só pelo ambiente como pela decoração. Deve ser um local de encontro de pessoas bastante afortunadas.

- Se olhares bem atentamente para os frequentadores com o teu olhar clínico podes verificar serem pessoas bem dispostas e alegres e que deixaram à porta os preconceitos dos outros. São pessoas livres e ao mesmo tempo simples que até gostam de ouvir Amália como música de fundo das suas conversas, algumas, que são só entre elas.

Na verdade, também a conversa entre eles nada mais era que uma troca de opiniões do ambiente onde se encontravam.

Sobre o que ali estavam a fazer, parece por agora, que não sabiam. Pelo menos o Emanuel. Tinha sido atirado para aquele local cheio de mitos num ambiente carregado de não sei o quê, pela força das circunstâncias.

Enquanto conversava com o seu novo amigo, na outra parte do seu cérebro ia-se lembrando das conversas que ouvia do Tio Nelson sobre a noite de Lisboa e que seria ele o culpado da sua ida ao teatro.

A certa altura o Jorge disse: - De vez em quando parece que estás ausente! Passa-se alguma coisa contigo? Ou estás contrariado?

- Não! Não é isso! É que nunca tinha vindo a um bar deste tipo, embora me sinta bem e até alguma atracção pelas pessoas aqui presentes.

- Bem, já é alguma coisa. Ao que parece fiz bem em trazer-te ao Harrys Bar. Embora esteja no Bairro Alto não é propriamente um Bar de putas ou maricas mas sim um bar de pessoas diferentes.

- Sim! Pelo que me apercebo não há nada que não se possa ver ou atente à moral do cidadão vulgar e até me sinto bastante bem.

- Isso é falta de saíres à noite e conheceres novas gentes fora do teu dia a dia.

- De facto, a minha vida é do trabalho para casa e de casa para o trabalho.

- Então não vives com ninguém?

- Não! Vivo só com os meus pais!

- Não me digas, que não anda por ai alguém a bichanar-te o coração?

- Não! Sai há pouco de uma experiência de dois anos, mas não deu certo. Talvez por eu também não ter grande experiência de uma vida a dois.

- De facto é difícil conviver permanentemente com outra pessoa na mesma casa. Habituarmo-nos, principalmente no acordar em que parece a pessoa não ser a mesma, independentemente dos hábitos, gostos e costumes que ambos têm que conciliar.

- Por acaso não foi o caso! Simplesmente não deu certo por questões de ciúmes.

- Isso é mau! Olha eu quando gosto de uma pessoa é porque também tenho confiança nela e nesses casos não tenho ciúmes.

Entretanto com esta conversa toda já tinham a acabado com a garrafa do Scotch.

O Joãozinho que está sempre atento aos seus clientes e amigos, reparou que a garrafa já tinha acabado, aproximou-se deles com outra nova como é habito, abriu, deitou um pouco de Whisky em cada copo e enquanto ia deitando também um golo de Água de Castelo, lá foi metendo a sua colherada.

- Então os meus amigos já chegaram a alguma conclusão ou só estão nos preliminares? Já são cinco da manhã e o melhor é irem acabar a conversa noutro sítio com menos fumo e mais acolhedor para ambos.

- De facto já são horas de nos irmos embora, já bebemos uma garrafa e daqui a pouco já não consigo guiar disse o Emanuel.

- Isso não é problema, como sabes sou médico e sei parar de beber, mas de facto, o melhor é irmos embora.

Despediram-se o Joãozinho e lá foram eles.

Já na rua, a claridade do amanhecer já se vislumbrava, o Emanuel deu dois passos em falso e o Jorge de imediato agarrou-o.

- Então homem? Não me diga que é o efeito da bebida da noite?

- Não! Simplesmente coloquei um pé em falso.

- Bem, o melhor é irmos comer qualquer coisa e como o meu carro está muito bem guardado no parque, passo eu a conduzir o teu. A esta hora ainda não está café algum aberto, vamos até minha casa. Fazemos um pequeno-almoço substancial tu descansas um pouco e mais tarde levas-me até ao parque onde tenho o meu carro e vais para casa. Está bem?

- É capaz de não ser má ideie, hoje até não trabalho e podemos conhecermo-nos melhor. Não é normal deixar outra pessoa conduzir o meu carro, mas por toda a conversa que tivemos toda a noite, parece que já tenho confiança em ti! Olha, seja o que Deus quiser! 

Entraram no carro e lá foram direitinhos para casa do Jorge.

 

       Dois meses depois

 

O Jorge vendeu o seu apartamento e ambos compraram um outro que andam a mobilar aos seus gostos.

É um apartamento bonito num último andar e como tal tem uma vista espectacular, decorado com muito bom gosto e toda a casa respira felicidade.

Ainda não está totalmente decorado e mobilado mas a coisa vai.

Ambos trabalham, fazem uma vida como dizem os brasileiros “gostosa” sem complicações. Têm os seus amigos que muito os acarinham, e sabem receber em sua casa. As famílias estão unidas e basta olhar para eles para nos apercebemos de imediato “Ali há felicidade”.

Ambos estão “Á espera de um Milagre” para que este amor dure para sempre.

O Tio Nelson está feliz por ter ocasionado este encontro com um simples bilhete de teatro.

 

 

Ps: História dedicada a dois amigos que conheci nas Areia.

      As personagens intervenientes e a história são puras ficções literárias.

 

 

O Caçador

Ano de 2007

 

Notas:

(a) Música no Coração é um musical baseado no livro “The Story of the Trapp Family Singers” com música de Richard Rodgers, letra de Óscar Hammerstein II e texto de Howard  Lidsay e Russel Crouse, numa versão livre em português com encenação de Filipe La Féria.

 

(b) Molière: Pseudónimo do comediógrafo francês Jean-Baptiste Poquelin (1622-163). Advogado, cedo trocou a toga pelo teatro. Luís XIV veio a atribuir-lhe uma pensão na qualidade de «sublime comediante». Compôs obras famosas como Les Précieuses Ridicules (1659), Le Misanthrop, Le Médecin Malgré Lui (1666), Le Tartuffe (1669) e Le Malade Imaginaire (1673).

As pancadas que se ouvem no teatro antes de abrir o pano foram de sua autoria.

 

O Caçador

 

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publicado por nelson camacho às 01:39
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